FOTOGRAFIA - Imagens de passageiros
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quarta-feira, 06 de abril de 2005
Reportagem Local 
É quase que um manancial de pessoas que diariamente vem e vão no Terminal Urbano de Transporte Coletivo de Londrina. Na verdade, são cerca de 170 mil pessoas por dia que se movimentam entre uma linha e outra em busca da sobrevivência, da pontualidade, de levar o filho ao posto de saúde, para estudar, trabalhar e também procurar emprego. São as ''Vidas Passageiras'' que no trabalho do fotógrafo Wilton Mitsuo Miwa ganham destaque em 20 imagens em preto e branco registradas em documentário fotográfico com o apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Exibida no Museu de Arte de Londrina de 7 a 30 de abril, a exposição itinerante de fotos segue na Universidade Estadual de Londrina (UEL), de 2 A 14 de maio, na Biblioteca Central, de 16 a 27 de maio, e no Museu Histórico, data ainda a definir.
Depois de quase seis anos morando no Japão, Miwa disse que observar a confluência de pessoas nos metrôs de Tóquio foi a sua maior inspiração para realizar o trabalho fotográfico no terminal de Londrina. ''São países com realidades diferentes, mas que têm em comum o ser humano dentro da multidão. A idéia era captar detalhes que na correria não se percebe'', comentou o fotógrafo, que desde 1997 está de volta a Londrina.
Além do olhar bastante apurado, Miwa se preocupou em fazer uma pesquisa sobre a realidade do local exposta em forma de texto no catálogo elaborado para as fotos. Como resultado, percebeu que há muito a melhorar na estrutura que abriga tantas pessoas. ''O meu sonho é ainda ver exaustores, catalizadores e estrutura adequada para deficientes. Acho que todas as partes responsáveis pelo terminal deveriam se reunir para buscar uma solução porque a tendência é os problemas ficarem piores com o tempo. É uma questão de bom senso'', comentou.
Sobre a emissão de gases poluentes no terminal, Miwa descobriu que não são todos os motoristas que desligam os motores no momento em que os ônibus estão parados. Tal atitude, conforme avaliação do Departamento de Química da UEL, faz com que haja mais poluição, já que não há a queima completa do combustível nessa situação. ''É uma atitude simples, mas que pode fazer uma grande diferença. O meu trabalho não tem caráter de denúncia, mas vejo a arte com uma ferramenta para as questões sociais e humanitárias'', ressaltou.
Em 1989, aos 17 anos, Miwa decidiu sair da escola e tentar a vida no Japão, onde comprou a sua primeira máquina fotográfica. Em 1994, em São Paulo decidiu estudar fotografia na Escola Pan Americana de Artes e trabalhar em um estúdio fotográfico até que teve que voltar ao Japão. De volta à Londrina em 1997 ano em que conquistou o primeiro lugar em concurso japonês de fotojornalismo Miwa continuou a se dedicar à fotografia. Há cinco anos frequenta o Foto Clube de Londrina e atualmente é o presidente da entidade, na qual já recebeu vários prêmios.
Além das 20 fotografias expostas, Miwa tem mais 40 que poderão ser utilizadas em uma próxima edição sobre a mesma temática, prevista ainda para esse ano. O trabalho atual também será utilizado no curso de especialização de fotografia da UEL. Foram editados 800 exemplares do catálogo que estão sendo distribuídos gratuitamente para bibliotecas, universidades e entidades culturais.
Serviço:
- Abertura da exposição itinerante ''Vidas Passageiras'', de Wilton Mitsuo Miwa, sobre o Terminal Urbano Coletivo de Londrina. De 7 a 30 de abril, no Museu de Arte de Londrina (Rua Sergipe, 640), de segunda a sexta, das 10 às 18 horas e, aos sábados, das 8 às 13 horas. A exposição também será exibida na Universidade Estadual de Londrina (de 2 a 14 de maio), na Biblioteca Central (de 16 a 27 de maio) e no Museu Histórico de Londrina (data a definir).


