FOTOGRAFIA - Imagens cativantes
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de março de 2004
Equipe da Folha 
Curitiba - Vinte e sete fotógrafos amadores e profissionais são as estrelas de uma mostra de fotografia que acontece em Curitiba. Todos alunos do Núcleo de Estudos da Fotografia (NEF). Cada participante vai expor um trabalho que pode ser em cor ou preto e branco com temática livre e, para dar unidade, todas as ampliações contam com o tamanho padrão de 30 cm por 45 cm. ''Dessa vez nós editamos as fotos valorizando o aspecto visual e conceitual delas. O lado fotográfico desse grupo foi mais forte do que a primeira exposição'', conta a coordenadora do NEF, Milla Jung.
As fotos são trabalhadas sob diversos ângulos: documental, autoral, conceitual e, até, surreal. Algumas imagens revelam cenas inusitadas de locais conhecidos dos curitibanos como a Rodoferroviária, o Hospital de Clínicas, o Cemitério Municipal e os meninos de rua. Milla diz que não houve um tema recorrente entre os participantes. ''Na primeira mostra as fotos estiveram ligadas a um aspecto social. Agora a gente transcendeu isso e falamos do homem de uma forma mais universal. Então não tem mais a idéia da fotografia documental mais tradicional. Acredito que o grupo está colocando seu olhar mais voltado para a contemporaneidade. O que muda para agora é que damos um passo nessa idéia da fotografia mais conceitual.''
Para Milla, esta segunda coletiva tem, como elemento de ligação entre os diversos fotógrafos, uma busca mais intensa. ''Há um outro entendimento do aspecto imagético. É uma vontade de ir além.'' Outra característica da exposição é a predominância das fotos em preto e branco. A coordenadora do grupo diz que essa tem sido uma tendência na escolha pessoal de cada participante. ''É muito difícil trabalhar com a cor porque você reproduz o que está vendo e parece habitual aos olhos. Os fotógrafos têm um fascínio pelo preto e branco.''
A exemplo da primeira mostra, esta segunda coletiva oportuniza, muitas vezes, o contato inicial dos fotógrafos com o público. Milla chama atenção para essa responsabilidade. ''É como emprestar o olhar para o espectador. É se desnudar e mostrar como você vê o mundo a sua volta''. Essa opinião é compartilhada por Robert Amorim, o Beto Batata, que entende a importância de realizar a mostra como o início de uma discussão entre artista e público da cidade. ''A intenção do nosso espaço é possibilitar esse diálogo entre a produção do núcleo e a sociedade'', afirma.
Milla Jung adianta uma novidade nesta segunda coletiva: dos 27 participantes, seis serão escolhidos para desenvolver uma segunda etapa de seus projetos. Ou seja, a mostra encerra uma etapa de alunos dos cursos e abre uma nova fase para a profissionalização. ''A idéia é nessa exposição mostrar uma foto. Depois vamos dar continuidade escolhendo os seis melhores trabalhos, de forma a aprofundar os projetos e finalizá-los com um nível maior. E, provavelmente no começo do ano que vem, lançaremos uma série de exposições individuais''.
Serviço:
- 2 Mostra do Núcleo de Estudos da Fotografia. O Espaço Cultural Beto Batata fica na Rua Professor Brandão, 678. Horário de funcionamento: diariamente das 11 horas à meia-noite.


