Um acervo fotográfico precioso estava longe dos olhos do público. O material continha imagens de várias épocas retratando ruas, edificações e símbolos marcantes da história de Londrina. Tudo estava guardado em caixas no estúdio do Foto Estrela, o mais antigo em atividade na cidade, correndo o risco de se perder para sempre. Um projeto aprovado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), porém, resgatou uma parte desse arquivo resultando numa exposição, um CD-ROm e um livro.
A exposição ficou em cartaz durante duas semanas do mês de junho na Casa de Cultura José Gonzaga Veira. ''Muita gente não pôde ver, reclamando que ficou pouco tempo. Em setembro, pretendo montá-la na Biblioteca da UEL e posteriormente em outros locais do Centro da cidade'' anuncia Edson Luis da Silva Viera, curador do projeto e professor de Fotografia da Universidade Norte do Paraná (Unopar).
A Mostra reúne cerca de 70 imagens produzidas por Carlos Stenders e Yutaka Yasunaka. Stenders foi o proprietário do Foto Estrela de 1938 até 1952. Yasunaka toca o estúdio adquirido por seu pai naquele mesmo ano até hoje. O material selecionado documenta o crescimento do município entre as décadas de 40 e 70 destacando vistas aéreas, pontos turísticos, trechos da área central da cidade e eventos como desfiles cívicos, colheitas de café e lavagem de ruas.
''É possível contar a história de Londrina através dessas fotos. Há uma representação visual da passagem das décadas, inclusive com sequência de imagens de um mesmo tema'' explica o curador do acervo. O CD-Rom reúne 200 fotografias. Já o livro, intitulado ''Revelações da História O Acervo do Foto Estrela'', traz mais de 100 imagens. Ambos serão disponibilizados brevemente em bibliotecas, escolas da rede pública e escolas de nível superior locais.
Vieira teve a idéia de trazer o arquivo à luz depois de fazer um estágio no Foto Estrela, localizado na Rua Maranhão, onde trabalhou como laboratorista de 2003 a 2005. Yasunaka mantém as fotos encaixotadas em seções temáticas ''monumentos'', ''pontos turísticos'', ''relojão'', etc. Muitas fotos são registros do dia-a-dia, fotos 3x4, fotos de casamentos, batizados e de primeira comunhão.
Vieira separou ''cenas de Londrina'', imagens destinadas para cartões-postais, que tinha boa saída na época. ''Encontrei muitos negativos intactos, que sequer passarem pelo processo de ampliação'' conta. Depois de perceber valor artístico e histórico em boa parte do baú, pôs mão à obra. Garimpou mais de mil negativos de acetato, no formato 6x6 e 6x9 cm, produzidos durante as quase sete décadas de atividades do estúdio.
O trabalho passou pelas etapas de limpeza, restauração, digitalização, catalogação e arquivamento. A empreitada contou com uma equipe formada por Daniel Choma, Rafael Francis, Tati Costa; além da colaboração de Janine Moura Fé e Marcia Nagano. O curador faz questão de frisar que realizou uma pesquisa apenas parcial do acervo. ''Imagino que se alguém mexer em todas as caixas, vai encontrar muito mais imagens valiosas. Afinal, são mais de 50 anos de registros fotográficos'' avalia.
O livro inclui uma biografia resumida de Yasunaka, fotos de sua família e até textos assinados pelo fotógrafo e por sua esposa Junko Yasunaka, que morreu no ano passado sem poder ver o acervo do estúdio restaurado.

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