Curitiba - A capital paranaense vai ser a única cidade brasileira a receber a exposição ''Vidas Alemãs'', do fotógrafo Stefan Moses. A mostra, feita em parceria com Instituto Goethe e o Museu da Fotografia de Munique foi composta o ano passado e desde o início de 2007 está percorrendo várias cidades do mundo. Esteve em cartaz na Bolívia, chega em Curitiba hoje e depois segue para o Uruguai. Portanto, a exposição que abre hoje, no Espaço Cultural BRDE - Palacete dos Leões - será a única oportunidade dos brasileiros conhecerem no País o instigante trabalho do fotógrafo alemão especializado em retratos.
Ao longo de sua carreira, Moses registrou como ninguém as mais interessantes personalidades e também pessoas anônimas. Foi assim que ele reuniu um acervo único, capaz de contar a história do povo alemão por meio de imagens. Na retrospectiva que chega ao Brasil, o público poderá ver 46 fotografias inéditas do retratista. Para Curitiba, o Instituto Goethe selecionou um painel variado de retratos divididos em cinco grupos: alemães- ocidente, alemães-oriente, os grandes velhos, reflexos, artistas criam máscaras e sociedade alemã.
''Estes cinco ciclos representam a obra integral de Moses e reflete a sociedade alemã, mas é preciso reforçar que não têm nenhuma conotação política e não se deve interpretar a obra dele por este aspecto. Ele gostava do lado humano e por isso se focou nos retratos'', salienta a diretora do Instituto Goethe, em Curitiba, Claudia Roemmelt Jahnel.
Ela exemplifica, por exemplo, com a série ''Floresta Alemã'', quando o fotógrafo transportou poetas, filósofos e políticos da Alemanha até a floresta e fez com que eles passeassem entre as árvores. O resultado são imagens inéditas de pessoas como o ex-chanceler Willy Brandt e Herbert Wehner, do partido social-democrata que aparecem registrados destituídos de suas posições e numa áurea de conto de fadas.
Também integra a mostra a série ''Auto-retratos espelhados', quando Moses permitiu que seus fotógrafos - a maioria protagonistas famosos - se auto-fotografassem diante de um espelho. Moses retratava a imagem refletida. A série ''Máscaras'' também provoca e mostra como o fotógrafo também permitia que seus fotografados imprimissem suas personalidades.
Moses propôs aos retratados cinco minutos para se mascararem antes de cada registro. Assim aparecem na exposição, fotos como a do cartunista Saul Steiberg, que colocou seu dedo como nariz através do centro de um prato com o desenho de um rosto. O pintor Otto Diz tambem teve sua imagem registrada quando olhava fixamente através de uma tesoura virada para baixo, num retrato que se tornou célebre.
Um passeio pela exposição de Moses, não é apenas conhecer o retrato da sociedade alemão, como sugere o título, mas sim um convite para adentrar na ótica da criatividade e estilo. Aos 79 anos, Moses, nascido em Liegnitz, na Silésia, é considerado um dos mais representativos fotógrafos do século 20. Além de fotografar, Moses também escreve e foi autor de reportagens para as revistas ''Das Schönste'', ''Revue'', ''Magnun''. Desde 1960, escreve para a ''Stern'' onde conquistou renome internacional.
Durante a exposição do fotógrafo em Curitiba, também será possível assistir a filmes de diretores alemães selecionados pelo Instituto Goethe. São três documentários e uma ficção. Os assuntos falam da mesma temática da obra de Moses. As sessões acontecem nos dias 21, 22, 23 e 24, sempre às 19 horas.

Serviço:
- ''Vidas Alemãs'', exposição de fotografias de Stefan Moses
Quando - Abertura hoje para convidados e visitas públicas a partir de amanhã, das 12h30 às 18h30
Onde - Espaço Cultural BRDE - Palacete dos Leões, na Avenida João Gualberto, 530). Quanto - Tanto a exposição quanto a exibição de vídeos tem entrada franca.

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