Com muito espírito aventureiro na própria bagagem de vida, desde o dia 26 de dezembro último a artista plástica e fotógrafa colombiana Ana Lucía Pérez Tobón, 47 anos, está percorrendo a América Latina a bordo de uma Mercedes 1961. Depois de sair de Medelín, na Colômbia, Lucana, como prefere ser chamada, passou pelo Equador, Bolívia, Chile, Argentina e Patagônia até chegar no Rio Grande do Sul, onde deu início à sua aventura em terras brasileiras.
Após visitar os estados de Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo, Luccana aportou em Londrina em abril, e se encantou com a cidade. ''É muito elegante, chique. É a cidade do interior que mais gostei, comparando com todas as outras em que já estive. Achei mais bonita que Buenos Aires'', afirmou.
Hospedada na casa do casal Ricardo e Cláudia Prochet - que fazem parte do Clube da Hospitalidade (www.hospitalityclub.org), uma espécie de site de contatos que cadastra pessoas dispostas a oferecer algum tipo de hospedagem gratuita para estrangeiros -, Lucana contou um pouco da sua aventura. Em Londrina, há aproximadamente 50 pessoas cadastradas ao site. Ontem, ela informou por e-mail que estava se dirigindo para Santa Fé, na Argentina.
A idéia de viajar pela América Latina de carro é antiga e disse que demorou quatro meses na reforma da ''Mercês'' - apelido que deu para a sua Mercedes 1961, que possui há 19 anos. Os bancos traseiros foram adaptados para uma cama (embora em todo o percurso, até agora, tenha conseguido ficar hospedada na casa de pessoas cadastradas no Clube da Hospitalidade). Na parte externa do capô, foi acoplada uma estrutura para guardar equipamentos de camping e no porta-malas tudo o que for necessário para a manutenção mecânica do carro, que Lucana domina. ''Mas só conheço a mecânica desse carro, que sinceramente é muito simples'', garantiu.
Aventureira, ela também tem um equipamento GPS e um computador de bordo para encontrar com facilidade e rapidez os mapas que irão facilitar a sua trajetória, mas não dispensa os tradicionais mapas de papel.
Ela diz que o viagem em si não tem um objetivo específico. O desejo maior é poder conhecer os lugares e também a si mesma. ''O importante é a experiência, não o resultado final. A viagem é um sentimento. Não sou católica, mas sou cristã, e desde que iniciei essa viagem me sinto abençoada, tudo vem dando certo'', destacou.
Mas ela também nutre a idéia de publicar um livro com as melhores fotos da sua viagem. ''As praias brasileiras são maravilhosas e penso em deixar as imagens que captei registradas em um livro, mas isso dependerá de patrocínio e é algo para ver depois'', afirmou. Ela já tem uma publicação de fotografias artísticas - a Light Sculptures by Lucana - ou Esculturas de Luz de Lucana.
Ela só tem um filho, de 19 anos, que mora na Suíça, e a comunicação é feita via e-mail e MSN. ''Ele também me chamou de louca quando decidi que iria fazer essa viagem, mas agora quer sempre saber onde estou e se diverte com as histórias'', brincou.
Um dos momentos mais marcantes para ela foi ter conhecido o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. No dia, o bonde que leva até o monumento não estava funcionando e ela decidiu subir o morro de carro, mesmo tendo sido desencorajada por várias pessoas. ''Eles diziam que não iria dar certo, que era perigoso, mas foi perfeito e não acreditei quando cheguei lá. Não sabia se chorava ou gritava de emoção'', ressaltou. ''Aquele é um lugar verdadeiramente especial'', acrescentou.
Depois de Londrina, Lucana tinha como meta conhecer Foz do Iguaçu e dali partir para a Argentina, dando início a viagem de volta à Colômbia pela Cordilheira dos Andes. Serão provavelmente mais 13 mil quilômetros rodados em um período de quatro meses. Como projeto para um futuro próximo, Lucana almeja embarcar a ''Mercês'' em um navio da Colômbia rumo ao Pará, de onde iniciaria uma viagem pela costa marítima brasileira até o sul do País.
Quem quiser conhecer mais sobre a artista aventureira pode consultar o site www.lucanaart.com ou mandar e-mail para [email protected].

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