Fotógrafa mexicana mostra força da cultura indígena latino-americana
São Paulo, 27 (AE) - O tempo passa de forma diferente para as culturas indígenas latino-americanas que trazem toda a força e a sensibilidade dos símbolos e dos mitos. Às vezes vasto e minucioso, outras vezes infinito e limitado. Tradições e sabedorias que continuam sendo transmitidas por gestos, ritos, festas e cantos. Assim são as imagens que a fotógrafa mexicana Flor Garduño, discípula do mestre da fotografia latino-americana Manuel álvares Bravo, traz para São Paulo na exposição "Testigos del Tiempo" ("Testemunhas do Tempo"), a partir de amanhã, no Memorial da América Latina, dentro da programação do 4º Mês Internacional da Fotografia.
Em 1992, Flor publicou um livro, com prefácio do escritor mexicano Carlos Fuentes. Um ensaio que chega até nós com sete anos de atraso, depois de 30 exposições na América e Europa: "Sete anos de espera é muito", diz a fotógrafa, que está no México preparando um novo livro.
Durante quatro anos, Flor viajou pela Guatemala, Bolívia
Equador, México fotografando antigas culturas latino-americanas. São culturas com forte predominância mitológica que, por causa das colonizações e das forças opressoras, tiveram de calar-se, mas continuaram a ser transmitidas sem palavras, por meio da tradição. É ela que mantém viva a memória e o valor de toda cultura. O amor à tradição faz com que a cultura mantenha a unidade.
Flor testemunhou momentos de grande valor simbólico e arquetípico. O que lhe interessa é ir em busca dessa percepção. Ela imobilizou o tempo em suas imagens nos altos planaltos, nos vales e lagos: são retratos de povos em procissões, na vida, na morte, em encontros amorosos: "Sou testemunha de um mundo que já passou, mas continua existindo em mim."
Ao ver as suas imagens é impossível não emocionar-se e tentar descobrir o valor simbólico da situação. Mas isso nem sempre é possível. Como afirmava o psicanalista suíço Carl Jung, o momento em que aparece a situação mitológica é caracterizado pela intensidade emocional. Os retratos de Flor Garduño nos emocionam porque mostram experiências que são comuns a todos nós.
Arquétipos que nada mais são do que imagem e emoção: "Tenho uma ligação muito forte com a cultura indígena", explica a fotógrafa. "Uma afinidade que descobri no decorrer do meu trabalho, que se revelou, se impôs e é evidente neste ensaio."
Atualmente, Flor Garduño trabalha em novo ensaio que não implica andanças por países e continentes. É um trabalho intimista realizado quase todo em sua casa, mas deixa no ar uma promessa: "O Brasil é uma terra que ainda não percorri e poderia fazer um livro testemunhando o tempo brasileiro", afirma. "Flor Garduño". De terça a domingo, das 9 às 18 horas. Memorial da América Latina, em São Paulo. Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 664, tel. (011) 3823-9725. Até 6/6. Abertura às 19 horas.





