Em um ponto os livreiros tradicionais e modernos concordam: a prática de copiar capítulos de livros por estudantes é danosa ao mercado. Comum nas universidades, a fotocópia compete com a aquisição de títulos. Leoni Pedri, gerente de varejo da Livrarias Curitiba, diz que o público universitário está muito distante do setor. ‘‘O que nós percebemos é que, depois de formados, os profissionais começam a constituir uma biblioteca própria, que deveria ter sido começada ainda como estudante.’’
Para Aramis Chain, da Livraria Chaim, a cópia é um dos sintomas do processo de educação ‘‘mediocrizada’’ no Brasil. ‘‘Por um lado, a escola finge que ensina e, por outro, o aluno finge que aprende. O pior é que o princípio defendido por Monteiro Lobato, de que um país se constrói com homens e livros, foi totalmente abandonado.’’
As estatísticas oficiais mostram que os livreiros têm razão. Enquanto nos Estados Unidos e Europa o consumo per capita anual médio é de nove títulos, na Argentina é de cinco livros e, no Brasil, apenas 1,2. ‘‘O resultado disso tudo é que temos uma massa no Brasil que só serve para votar’’, completa Chain. (E.C.)

mockup