A questão do veto do governo do Estado à lei do mecenato teve mais desdobramentos na noite de quinta-feira, em Curitiba. Artistas de diversas categorias, representando 15 entidades culturais, estiveram reunidos no plenarinho da Assembléia Legislativa onde decidiram mudar a data de uma grande manifestação contra o veto na Assembléia Legislativa, anteriormente marcada para 15 de fevereiro. A nova data ainda não foi definida. Também foi referendada a Comissão de Negociação de Geração de Recursos para iniciar conversação imediata com a Secretaria de Estado da Cultura.
A reunião foi promovida pelo Fórum de Cultura do Paraná, Fórum das Entidades Culturais de Curitiba e Fórum Permanente de Cultura de Londrina, com participação de representantes de Londrina e Toledo. A sessão que começou às 7 da noite durou três horas. Na abertura o deputado Caíto Quintana (PMDB) respondeu a algumas perguntas da plenária de ordem prática sobre as medidas a serem tomadas.
Quintana é da opinião que o veto será derrubado pela Assembléia Legislativa, até mesmo por uma questão de ‘‘coerência’’ dos deputados que aprovaram o projeto. Naturalmente haverá pressão do Palácio sobre a bancada governista, porém ‘‘diversas vezes a Casa derrubou vetos em diversos governos’’, disse.
Ele comentou ainda que o governador Jaime Lerner ‘‘e todo o círculo que compõe o governo, semmpre se apoiaram nessa história de cultura’’, utilizando assim um marketing eficiente. Porém, ‘‘no primeiro momento em que é desafiado como governador a mostrar de fato apoio a um fundo de cultura, ele veta. É uma incoerência total e absoluta’’.
A classe estudantil se fez representar pelos presidentes da União Paranaense dos Estudantes, Gustavo Moraes, e da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas, Edmir Maciel. Para Moraes é importante que a categoria estudantil – secundarista e universitária – esteja atuante no movimento desencadeado pelos artistas. Isto porque o problema enfrentado por eles atinge diretamente a juventude que também ‘‘quer produzir arte, sua cultura’’. ‘‘Com nossas intervenções acho que a gente pode ajudar a derrubar o veto’’, afirmou.
Edmir Maciel, da UPES, arrancou aplausos e risos da platéia quando explicou que ele era o rapaz que tirou a roupa na Boca Maldita para se manifestar contra o aumento da tarifa de ônibus – e que ficaria pelado novamente, em favor da cultura. ‘‘É um ato simbólico da rebeldia e da irreverência da juventude’’, explicou.
Também ele entende que as questões da classe artística estão diretamente ligadas aos estudantes. ‘‘De certa forma temos futuros artistas entre nós, e aqui está um pessoal que lida especificamente com cultura. São eles que vão deixar um residual para que a gente possa pegar e levar adiante. É mais do que fundamental a nossa defesa, não só como a questão específica de quem age na cultura, mas como uma questão da sociedade em preservar suas raízes e sua própria cultura’’.

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