Rio, 20 (AE) - A classe cinematográfica em peso foi hoje ao auditório do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o último painel do 9º Fórum Nacional, que teve Cultura e Cinema como tema. O ministro da Cultura, Francisco Weffort abriu o debate com um mea culpa. Reconheceu o erro do governo ao "confiar excessivamente na espontaneidade do mercado" quanto ao sucesso das leis de incentivo cultural, especialmente na do áudiovisual.
O ministro reconheceu que estas leis reativaram a atividade cinematográfica. Para ele, é necessário acabar com polarização estado-mercado e fazer os dois setores atuarem conjuntamente. Em seguida, o superintendente da área Cultural do BNDES, Hélio Hermeto Filho, prestou contas da atividade do órgão no setor enumerando 42 projetos audiovisuais que tiveram apoio.
Ele lembrou que, desde 1995, o BNDES investiu R$ 7,7 milhões na área e que, a partir de 1998, dividiu os recursos (que somaram R$ 2,2 milhões) meio a meio, entre projetos ficcionais e documentários. "A descisão se deve à demanda do mercado, especialmente a televisão paga, por produtos brasileiros", explicou.
O debate esquentou quando o cineasta Gustavo Dahal leu um documento de produtores, diretores e críticos de cinema denunciando a falta de igualdade de condições com que o produto audiovisual brasileiro, especialmente o cinema, chega ao mercado nacional. O dado novo foi introduzido pelo diretor executivo da Globo Filmes, Luiz Gleiser. Ele reclamou a exclusão da produção televisiva (especialmente novelas) da discussão e lembrou que as tecnologias de ponta, especialmente a Internet, trazem novos desafios para o Brasil, que ainda não tem condições tecnológicas de competição.
O produtor Leonardo Monteiro de Barros, do Sindicato Nacional de Produtores Audivisuais e da Conspitação Filmes, trouxe dados numéricos obtidos junto ao Banco Central ("sem muito aprofundamento", ressaltou ele), dando conta de que na balança comercial o Brasil tem um déficit de US$ 600 milhões em royalties (que vão desde software a filmes e discos), contra uma receita praticamente zerada. "Essa situação se repete em outros países e precisamos conversar com eles para encontrarmos soluções juntos", concluiu ele.

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