O presidente da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), Cássio Chamecki, ainda não conseguiu dissipar a resistência da classe artística à sua admnistração. Aos sete meses de mandato, ele acumula problemas, como o fato de ter sido convocado pela Comissão Permanente de Educação, Cultura e Meio Ambiente da Câmara Municipal para prestar esclarecimentos sobre as suas ligações com a Calvin, promotora do Festival de Teatro de Curitiba e empresa do qual é um dos sócios fundadores. Agora as entidades de cultura, representadas pelo Fórum das Entidades Culturais, tornaram público um manifesto de repúdio aos procedimentos da fundação.
O fórum acusa Chamecki de não acatar as sugestões da comunidade cultural da cidade e pede transparência na administração da entidade. Segundo um dos coordenadores do fórum, Glauco Souza Lobo, desde quando assumiu a presidência da FCC, as atitudes de Chamecki vem desagradando à comunidade cultural. ''O resultado foi esse documento, mas estamos procurando vias judiciais para nos defendermos'', avisa.
De acordo com o manifesto, a fundação teria ignorado as indicações do fórum para a comissão de incentivo à cultura. O anúncio de que acabaram as verbas para os projetos produzidos com recursos da lei, também teria irritado a classe. As reclamações não páram por aí. O documento é categórico ao definir a situação dos espaços culturais da cidade: ''Salas de teatro e cinema abandonadas e fechadas para em breve serem privatizadas. Espaços culturais abertos para eventos não artísticos em detrimento de espetáculos locais. Cantores e músicos populares sem condições de trabalho pelas altas taxas cobradas para apresentações em espaços público sucateados''.
Para Chamecki, o documento não passa de ''acusações infundadas''. ''Não merece resposta porque são acusações pessoais'', define, ainda que o documento aborde questões administrativas. O presidente da fundação diz que algumas entidades isoladas estão se escondendo atrás do fórum para destilar um ''discurso vazio'' contra a fundação. Chamecki salienta que as portas da fundação sempre estiveram abertas para os artistas e que o melhor caminho para discutir as questões administrativas da entidade é pessoalmente, e não enviando documento. Ele disse ainda que não recebeu o manifesto aos seus cuidados e que ficou sabendo da existência do documento por terceiros.
Chamecki revela ainda que o fato dos recursos para os projetos da lei terem acabado foi mal interpretado pela classe. ''O que acabou foi a possibilidade de novas captações'', ressalta. Diz ainda que a cobrança das taxas de utilização dos espaços culturais são procedimentos normais em todos os estados, o que o manifesto não comenta.
Mas independente do conteúdo, o documento de repúdio concluído pelo fórum representa um obstáculo para o presidente da FCC. Isto porque se o início da sua administração foi conturbado pela classe ter recebido com surpresa a indicação de um empresário para presidir o solo sagrado da fundação, sete meses depois ele ainda não conseguiu amenizar a desconfiança da classe. Chamecki ainda não fez um balanço desses primeiros meses de administração, mas avalia como positiva o seu primeiro contato na presidência de um órgão público: ''Foi um trabalho de reestruturação'', concluiu.

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