Fórum discute a arquitetura dos teatros
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segunda-feira, 12 de junho de 2000
Francelino França De Londrina 
Gerações sucessivas de arquitetos procuram o modelo ideal de teatro. Não encontraram ainda, alguns projetos arquitetônicos até se aproximam. No Brasil, a construção de teatros, via de regra, começa sem nenhuma assessoria especializada. Ao projetar um novo espaço cênico, muitos arquitetos não se cercam de uma assessoria especializada multidisciplinar e quando esses especialistas chegam, os defeitos estão estabelecidos. Às vezes, é preciso fazer mágica para dotar o espaço de infra-estrutura adequada.
A necessidade da assessoria especializada, foi um dos tópicos abordados no II Fórum de Discussão do Fazer Cenográfico e da Arquitetura Cênica, inserido no Filo 2000, encerrado na última sexta-feira, quando especialistas discutiram o tema Como pensar num projeto de arquitetura teatral. Mediando o debate estava o diretor regional do Sesc São Paulo, Danilo dos Santos de Miranda. O teatro é a jóia da nossa coroa, reiterou Miranda. No Brasil, a entidade possui quase 50 salas de teatros, com incontáveis projetos inovadores na área.
Na mesa de debatedores estavam os arquitetos Robson Jorge, premiado com a medalha de ouro na seção de arquitetura cênica na Quadrienal de Praga (1999), dentro do conjunto de oito projetos brasileiros; e Gustavo Lanfranchi, especialista na pesquisa e projetos de edifício teatral. Completando o time de debatedores participou da mesa o cenógrafo venezuelano Edwin Erminy.
O teatro carrega um tipo de arquitetura com significação histórica, envolve todas as outras artes e, consequentemente, o custo para se ter um teatro é elevado. Em se tratando de um projeto de teatro municipal, segundo Gustavo Lanfranchi, é preciso que o projeto tenha comprometimento com a comunidade e com as pessoas que fazem teatro na cidade. Esse espaços devem agregar ensino, difusão cultural, como maneira de afastar a construção da síndrome do elefante branco, com uma casa de espetáculos ociosa, funcionando apenas nos fins de semana e à noite, argumenta Robson Jorge. Os projetos complementares, como o de mecânica, iluminação cênica, sonorização são fundamentais para orientar o arquiteto que projeta um teatro. Robson Jorge repudia a importação de projetos oriundos de outras realidades e culturas. Alguns até dotados para enfrentar nevascas e terremotos.
O primeiro traço do projeto do teatro está comprometido e vai definir o que vai acontecer lá dentro. A linha que separa palco e platéia é fundamental, argumenta Lanfranchi. Para o especialista, a maneira como se coloca o ator em cena e como ele se projeta para a platéia são de importância fundamentais. Assim como a estratégia de ocupação do teatro e a escala humana, que garante a visibilidade para o público. Lanfranchi reitera a importância do edifício teatral no traçado da cidade, se há uma integração com o contexto urbano.
Na assistência do Fórum, o diretor teatral Gabriel Villela solicitou uma solução para um problema atual de suma importância para a contratação de artista: o ar condicionado nos teatros. Dependendo da existência desse quesito técnico, o artista pode ou não assinar contrato. A solução para o palco, na concepção do arquiteto Robson Jorge, seria a de troca de ar natural, calculando a carga térmica daquele espaço, sem entrada direta do ar condicionado, porque a força de saída do ar interfere até no cenário.
Para esse novo milênio ficou um pedido aos arquitetos que pensem em novas concepções arquitetônicas voltadas para a atual realidade. Uma das soluções apresentadas seria um teatro que contemple uma mistura de palco italiano e da concepção arquitetônica do teatro elisabetano.


