Fórum debate a televisão brasileira
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terça-feira, 14 de novembro de 2000
Elisa Marilia Carneiro Enviada a São Paulo 
Quatro deputados federais abriram as discussöões do 1º Fórum de Cultura Brasileira e Televisão, ontem de manhã, na Universidade Anhembi-Morumbi, em São Paulo, promovido pela revista Imprensa. Os pontos principais dos debates ficaram em torno da instalação do Conselho Federal de Comunicação, da participação de capital estrangeiro nas empresas de comunicação, a reserva de tela e a regularização dos limites dos programas de televisão.
Com um orçamento previsto de US$ 500 bilhöões anuais, a indústria mundial da comunicação ainda está longe de atender as classes menos favorecidas, como quem não possui internet ou não está conectado à rede fechada de televisão, como lembrou o deputado federal Aloisio Mercadante (PT). Colocando-se no papel de defensor da cultura brasileira, o deputado começou explicando que o próprio nome do País é identificado ao de um produto de interesse comercial (o pau-brasil). Só somos nação há 178 anos e sociedade há 112 anos, disse referindo-se à independência e à abolição da escravatura. Sempre estivemos inseridos na globalização. Estamos entre os dez países que mais produzem, mas por um processo de formação exploradora, essa produção nunca foi generosa nem repartida - enfatizou.
O deputado ainda considera o Brasil como três países: um moderno, competitivo, outro com uma multidão de excluídos e por último, um país solidário, fraterno, que produz a nossa identidade cultural. Esse último, não tem tido a atenção devida, a valorização estimulada. Os meios de comunicação devem oferecer os mecanismos para que a população se expresse. Mas observamos que a televisão, principalmente, faz um rebaixamento cultural da programação. Acontece um vale-tudo, que compromete o desenvolvimento cultural. Mas, ao reclamarmos de que a televisão é muito violenta, esquecemos que ela simplesmente retrata a sociedade atual.
Ironizando, o deputado afirmou que somos uma nau, sem bússola e sem rumo, mas com onze cabines com ar-condicionado, referindo-se à nau do Descobrimento que custou R$ 3,9 milhões e foi um fracasso. Em contrapartida tivemos a exposição dos 500 anos que mostrou toda nossa riqueza cultural, de forma esplendorosa.
Por sua vez, o deputado federal Celso Russomano (PPB) referiu-se à televisão como de custo zero para quem está assistindo, por isso, a sua capacidade de produzir culturalmente seria de grande valia para população. Mas as TVs fechadas estão mais longe, e infelizmente, o País não tem condições de dar para quem não pode comprar. Ficamos com uma deficiência cultural muito grande.
O pior de tudo, segundo o deputado estadual Aldo Rebelo (PcdoB), seria assistir à televisão brasileira falando em espanhol. Se só valorizamos o que acontece na Europa e nos Estados Unidos - não temos correspondentes na Bolívia nem na China, por exemplo -, como vamos valorizar nossas tradições, heranças e cultura - questionou.
Para o deputado Evilásio Faria (PSB), a nossa crise cultural é muito maior do que a crise econöômica. Temos uma das melhores tevês do mundo, mas ela é guiada pelos índices de audiência - reclamou.
Por último, o diretor da revista Imprensa, Sinval Itacarambi Leão, lembrou aos deputados e à platéia que dois terços dos deputados que exercem mandatos são proprietários de veículos de comunicação.


