Fortes sopros à platéia
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quarta-feira, 13 de julho de 2005
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Três brasileiros, um tcheco e um cubano integram o Quinteto de Brasília. O conjunto de sopros é a principal atração artística de hoje no Festival de Música de Londrina, cuja programação oferece ainda outros concertos, além de debate e extensões em Maringá e Porecatu.
O Quinteto sobe ao palco às 20h30, no Teatro Ouro Verde, sucedido pelo Trio Piazolla, formado especialmente para a apresentação com os músicos Eva Szekely (violino), Clemens Malich (violoncelo) e Mirta Herrera (piano) todos professores do FML.
O conjunto de Brasília é integrado por Sérgio Barrenechea (flauta), José Medeiros (oboé), Félix Alonso (clarineta), Stanislav Schulz (trompa) e Gustavo Koberstein (fagote). A formação tem um ano, embora o grupo conte com seis anos de criação.
O repertório abrange uma grande gama de estilos, da música popular até o tradicional repertório para quinteto de sopros, buscando mostrar a variedade e riqueza de timbres dos instrumentos. No ano passado, o conjunto conquistou o primeiro lugar num concurso de composição promovido pelo Sesc do Distrito Federal interpretando a peça ''Quinteto nº 2'', escrito pelo jovem brasiliense Rodrigo Lima especialmente para o grupo.
A peça é uma das que serão executadas no concerto de hoje, que traz ainda ''Quinteto de Sopros'', de Vaclav Trojan; e ''Serenata a Cinco'', de Edino Krieger. Eles interpretam também uma sessão de choros com a participação do grupo Quebrando o Galho, atração de ontem no evento.
Neste bloco, o coletivo executa os clássicos ''Pedacinhos do Céu'' (de Waldir Azevedo, com arranjo do maestro Duda), ''Naquele Tempo'' (Pixinguinha e Benedito Lacerda, com arranjo de Ayrton Barbosa) e ''Choro'' (Benny Wolkff). Sobre pesquisa de repertório, Barrenechea explica que não há dificuldades para encontrar peças tradicionais para a formação de quinteto de sopros.
O problema aparece salienta quando buscam material de música brasileira: ''O acesso é difícil, porque as partituras não estão editadas e os manuscritos dependem de todo um cuidado com a reprodução em xerox. Às vezes, é preciso fazer contato com as famílias dos compositores para que eles autorizem a liberação dos direitos autorais. É complicado''.
A boa notícia, segundo ele, é o surgimento de novos compositores na região do Centro-Oeste. ''Como o Rodrigo Lima, estão aparecendo outros talentos raros em Brasília, Goiânia e na Bahia'' diz. Com planos de gravar o primeiro CD, o quinteto reclama das leis de incentivo mecanismos que permitem o patrocínio de produções culturais através da renúncia fiscal.
''Teremos que apelar para as leis, mas não é uma coisa tão simples. Já ouvi dizer que muitas vezes não é o critério estético que prevalece mas o interesse político da empresa patrocinadora'' desconfia Stanislav Schulz. Os cinco componentes também estão dando aulas no Festival. É a segunda participação de Schulz, que veio para conhecer o evento há dez anos e acabou ficando três meses na cidade.
''Participar de um festival é sempre bom. A molecada vai, troca experiências e capta novas informações de músicos de fora. É sempre um aprendizado'' salienta o flautista. ''A proposta maior do professor é ensinar o aluno a estudar sozinho'' acrescenta o cubano Félix Alonso. Após o encerramento do Festival, na próxima semana, eles retornam ao Distrito Federal onde fazem um concerto no dia 25. Em agosto, apresentam-se em Goiânia.
Programa:
Astor Piazzolla - ôLas Cuatro Estaciones PorteÀas"


