Ponto estratégico no meio do oceano Atlântico, o arquipélago de Fernando de Noronha passou de mão em mão no decorrer dos séculos. Depois da descoberta por Américo Vespúcio, a ilha foi doada como capitania hereditária ao fidalgo Fernan de Loronha, herdando dele o nome.
No entanto, o poderoso fidalgo pouco se interessou pelas terras, que por sua localização privilegiada nas rotas de navegação entre Brasil e Europa, atraíram a cobiça de franceses (em 1556, 1558, 1612 e 1736), holandeses (de 1629 a 1654) e ingleses (1534).
O arquipélago só voltou de fato ao poder dos portugueses em 1737, quando a Capitania de Pernambuco expulsou os franceses. A partir de então o governo decidiu proteger a região construindo dez fortificações onde o desembarque fosse possível.
O maior e o mais importante é o Forte dos Remédios, construído em 1737 sobre ruínas de uma fortificação holandesa de 1629 e transformado em colônia correcional para presos comuns ou políticos. No local, pode-se ver as ruínas das celas, solitárias com menos de um metro quadrado sem qualquer janela ou sistema de ventilação. O destino do prisioneiro punido na solitária era somente a morte. Depois de constatada a morte, o prisioneiro era arremessado num buraco que dava numa fenda natural e o corpo alcançava o mar.
Hoje em Fernando de Noronha alguns moradores são descendentes de prisioneiros, que às vezes tinham permissão de levar a família. Outros acabaram ficando na ilha, casando-se com nativas.
Em 1938, o governo Vargas requisita a ilha para a instalação de um presídio político. A partir de então o local recebeu prisioneiros do porte do atual governador de Pernambuco, Miguel Arraes (PSB), e do militante político e hoje deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ).
A ilha de Fernando de Noronha recebeu visitantes e embarcações famosas. Até hoje, os destroços do navio grego ‘‘The Mone Stathatos’’, naufragado em 1937, estão no fundo da Baía de Santo Antônio. O dirigível Zepellin sobrevoou Noronha - e foi devidamente fotografado - em 1931. (A foto pode ser vista no Museu e Arquivo Histórico na Vila dos Remédios). O pintor Debret, em 1816, pintou o Morro do Pico. Em 1832, o naturalista inglês Charles Darwin escreveu suas impressões sobre o arquipélago.(Raquel de Carvalho)

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