Forró tradicional
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segunda-feira, 22 de junho de 1998
Sylvia Colombo Agência Folha 
Está garantida a trilha sonora para as festas de São João. O novo disco de Dominguinhos, 43º de sua carreira, não vem encartado num livro de receitas juninas, mas evoca a sonoridade das tradicionais festas do Nordeste, embaladas pelo forró. Sim, forró mais uma vez. O ritmo, que conquistou a noite paulistana e jogou no mercado um punhado de novos grupos, impulsionou também o trabalho de veteranos da música nordestina. Elba Ramalho, Alceu Valença, Genival Lacerda, Geraldo Azevedo e agora Dominguinhos lançaram discos reverenciando o gênero.
Já que está todo mundo fazendo forró de novo, estou gravando um disco para servir de referência, disse Dominguinhos, sobre seu Nas Costas do Brasil (Velas).
O tom didático que usa não é sem razão. Enquanto os novos grupos abusam do uso de teclados, guitarras e uma mistura esquisita de sax e sanfona, Dominguinhos mostra que o forró tradicional ainda tem zabumba, triângulo e agogô. A diferença principal, segundo ele, é a da batida. Essas bandas fazem de tudo para o forró parecer lambada, meio sambado, que é mais apelativo para os jovens, mais comercial, diz ele.
A sua preocupação é com a generalização do termo sonoridade nordestina designando os ritmos baianos mais comerciais. De repente a referência do som do Nordeste passou a ser a axé music, reclama. Para ele, o mangue beat, por sua vez, foi importante porque colocou novamente na frente dos olhos do nordestino a sua própria música. Nas Costas do Brasil também responde a uma necessidade de registrar em CD canções que Dominguinhos tem medo de perder. As gravadoras, quando lançam coletâneas de relançamentos, escolhem as músicas que querem sem consultar o artista e sem saber realmente o que é importante, por isso resolvi gravar sem a interferência delas.
O disco conta com 14 canções, entre elas as já consagradas Pedras que Cantam (Dominguinhos/Fausto Nilo), Isso Aqui Tá Bom Demais (Dominguinhos/Nando Cordel) e Eu Só Quero um Xodó (Dominguinhos/Anastácia), que já teve mais de 250 regravações. Luiz Gonzaga permanece sendo a principal referência. É preciso lembrá-lo a cada momento, diz Dominguinhos, cujo último lançamento (Dominguinhos e Convidados Cantam Luiz Gonzaga) também reverenciava o mestre ao lado de outros nomes da MPB, como Chico Buarque, Gilberto Gil, Sérgio Reis, Djavan e Genival Lacerda.
O lançamento de Nas Costas do Brasil acontece no meio onde foi concebido: as festas juninas do Nordeste. Os palcos do sul do país devem vê-lo no segundo semestre.


