Forró na base da viola
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de abril de 1999
Ranulfo Pedreiro 
Andradina é uma cidade do interior de São Paulo que se localiza no centro de um turbilhão da cultura popular brasileira. Próximo de Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás, o município ainda convive com forte presença nordestina. Foi desse recanto que Miltinho Edilberto saiu para seguir a sina de violeiro.
Embriagado pela alma caipira/sertaneja propagada pela região, somada às intervenções de Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga, Edilberto colocou a viola embaixo do braço e resolveu ganhar chão para conhecer melhor o folclore e a música nacionais.
Circulou do Rio Grande do Sul a São Luís do Maranhão coletando batidas, afinações diferenciadas, histórias e composições. Nesta marcha pelo âmago popular, que durou 15 anos, acumulou o conhecimento despejado em canções apresentadas em diversos festivais.
ReproduçãoTanto rodou que ganhou o Prêmio Sharp de melhor revelação regional com o disco Viola que Fala, um registro de milongas, modas de viola e outros estilos folclóricos somados ao Bolero de Ravel e até ao Hino Nacional Brasileiro. A miscelânea foi gravada em estúdio.
Quando preparava o próximo CD, enviou uma fita com suas músicas para Maria Bethânia, que gravou Não Tenha Medo. Depois de mais de cinco anos dedicados ao forró e aos ritmos que o originaram, Miltinho Edilberto está lançando Como Alcançar uma Estrela, gravado ao vivo pela Deckdisc/Universal.
Sua maior preocupação é não ser confundido com o forró comercial após anos de pesquisa. O disco é autoral, reúne composições minhas com ritmos do Norte e Nordeste, e montei um grupo chamado Forró de Viola, com a viola conduzindo. Não tem a ver com um modismo porque é um forró que respeita os ritmos tradicionais, não é estilizado, comenta em entrevista à Folha2.
Nas andanças pelo País, conheceu mais de 40 afinações de viola e inventou outras, imprimindo ao gênero uma mescla da música caipira do Centro-Sul brasileiro. A gravação ao vivo surgiu de sua experiência em São Paulo, onde se apresenta com frequência e tem um público que conhece e acompanha suas músicas. O trabalho é um registro do que esse público já conhecia, é uma mistura de ritmos com poesia muito sutil e popular, mas ao mesmo tempo atual, contemporânea, ressalta.
Nessa tendência, Edilberto solta farpas para a banalização de estilos comandada por grupos com interesses mercadológicos: Eu comparo esse forró que faz sucesso com o que aconteceu com o pagode e a música sertaneja. É uma coisa artificial, e por isso dura pouco. Tiram a sanfona e colocam teclado, tiram a zabumba e colocam bateria, fica esquisito.
No disco, Miltinho Edilberto transita entre canções mais líricas, como O Sonho e Como Alcançar uma Estrela, até à picardia do forró tradicional, como Nóis é Jeca Mais é Jóia - de Juraildes da Cruz - e The End. O músico agora está se preparando para mostrar o lançamento em várias cidades, e aguarda convites para visitar o Sul. Os interessados podem entrar em contato pelo telefone (011) 9618-6543.


