ReproduçãoDominguinhos: medo de que a rede do forró privilegie artistas da gravadora SomzoomO forró vai usar uma rede virtual de rádios para conquistar espaço no mercado fonográfico do país. Trata-se da Somzoom-Sat, uma cadeia formada por 26 emissoras desde Manaus (AM) até Porto Alegre (RS) e que só veiculará músicas de forró. A programação será gerada num estúdio da gravadora Somzoom, em Fortaleza, e distribuída para as emissoras afiliadas via satélite, utilizando tecnologia digital. É a primeira rede nacional cuja sede está fora do eixo Rio-São Paulo.
Orçada em R$ 150 mil, a Somzoom-Sat já acertou o aluguel do canal de satélite com a Embratel e aguarda apenas a autorização do Ministério das Comunicações, em Brasília (DF), para entrar no ar. O presidente da Somzoom-sat, Emanuel Gurgel, 43, que também é proprietário da gravadora, afirma que o lançamento da cadeia de rádios é um desdobramento da ‘‘guerra’’ que o gênero forró trava com os programadores de rádio do País.
‘‘Apesar de o forró ser sucesso de público, é boicotado nas emissoras de rádio, que têm suas programações ditadas pelos interesses das multinacionais da indústria fonográfica’’, disse Gurgel. Ele afirmou que o perfil de sua gravadora reforça sua tese.
Especializada em forró, a Somzoom, no ano passado, faturou R$ 5 milhões, vendeu 1,5 milhão de CDs e disputa com a Velas, de Ivan Lins, a liderança das gravadoras independentes do país. Segundo Gurgel, apesar de liderar com folga na região Nordeste, onde só perde para a axé music, na Bahia, o forró sempre teve dificuldades de se consolidar no restante do País.

Projeto deve
atingir os 5,5
milhões de
nordestinos que
vivem em São Paulo

NordestinosDe olho no público formado por cerca de 5,5 milhões de nordestinos e seus descendentes que moram em São Paulo, Gurgel lançou, em julho do ano passado, o projeto ‘‘Invasão do Forró’’, que consome mensalmente R$ 80 mil.
Associado ao radialista Amorim Filho, Gurgel montou um escritório na avenida Paulista, em São Paulo, arrendou parte da programação de duas emissoras de rádio paulistanas e passou a agendar semanalmente shows dos forrozeiros de sua gravadora em clubes da cidade. Como suporte do projeto, montou uma loja de discos especializada em venda de discos de forró, no bairro do Brás (região leste de São Paulo), e passou a promover noites de autógrafo dos forrozeiros para os seus fãs. ‘‘O fato de São Paulo consumir atualmente 36% das nossas vendas mostrou que a invasão deu certo e nos animou para alimentar o sonho de ganhar o Brasil para o forró’’, disse Gurgel.
Outras gravadorasAmorim, que é responsável pela programação da Somzoom-Sat, afirma que a rede deve privilegiar a divulgação dos artistas da gravadora de Gurgel, mas vai abrir espaço para forrozeiros de outras gravadoras.
O cantor e compositor Dominguinhos diz que a idéia de uma rede de rádios para divulgar forró é interessante, mas não pode se transformar num monopólio da gravadora Somzoom. ‘‘Tenho medo de que, em nome da defesa do forró, essa rede só veicule músicas dos artistas do seu elenco’’, disse Dominguinhos. O cantor e compositor Waldonis Meneses, responsável pelos arranjos de acordeon dos dois últimos CDs de Marisa Monte, disse que a divulgação massiva é importante para acabar o preconceito em torno do forró. Meneses, que já trabalhou com Hermeto Paschoal e morou nos Estados Unidos, afirma esperar que a Somzoom-Sat resgate a ‘‘genialidade’’ presente nas obras de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Sivuca.

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