A Vila Madalena presenciou, na década de 80, algumas festas de arromba frequentadas por músicos como Gilberto Gil e Luiz Melodia. Os anfitriões eram instrumentistas nordestinos que foram para São Paulo tentar a vida. Eles formavam o grupo Bendegó, que ressaltava ritmos regionais numa época em que a música estrangeira dominava o mercado. Além dos fundadores Capenga Ventura e Gereba, o Bendegó abrigou ainda Almir Sater, Zé Gomes, Passoca e Caçulinha.
Os anos passaram, mas a bandeira continua a mesma. ‘‘Forró da Baronesa’’, novo disco de Gereba, aprofunda as raízes nordestinas e mostra que o forró escapou ileso da onda comercial que inundou o gênero. O argumento ganha reforço de mais dois lançamentos: ‘‘Xodó do Brasil’’, de Anastácia, e ‘‘Fazendo a Festa’’, do Trio Sabiá.
Ao contrário do que se convencionou, forró não é uma corruptela do inglês for all. O termo já existia no século 19 e surgiu de uma abreviação de forrobodó ou forrobodança, como prova a ‘‘Enciclopédia da Música Brasileira’’ (Art Editora).
O rótulo, na verdade, abriga vários ritmos rurais do Nordeste. É essa diversidade que Gereba destaca em seu novo CD, acompanhado por vários convidados, entre eles o Trio Forró Brabo, Cezar do Acordeon, grupo Mais Maria do que Zé, Dominguinhos, Oswaldinho do Acordeon, Miltinho Edilberto, Bernadete França e Grupo Zambê.
O resultado tem jeito de festa, somando a espontaneidade necessária a um instrumental de primeira linha, com acordeom, zabumba e triângulo. Diferente do forró comercial, em que muitos sanfoneiros desenvolvem principalmente a mão direita, o que se ouve é um bom acompanhamento. A tecnologia está presente em discretas programações.
No repertório se avolumam as parcerias com Tuzé de Abreu, Arnaldo Xavier, Carlos Pita e o potiguar Dácio Galvão. A única exceção é a instrumental ‘‘Forró Brabo’’ (Olívio Filho).
Outro lançamento do CPC-Umes também trata o forró com cuidado. ‘‘Fazendo a Festa’’ traz o Trio Sabiá, conhecido na noite paulistana. Com um canto sutil, articulado em registros médios, o grupo passeia por composições de Gilberto Gil, Dominguinhos, Antonio Barros, Cezar do Acordeon, Vital Farias, e outros.
A inevitável ‘‘Eu Só Quero um Xodó’’ (Dominguinhos/Anastácia) conta com a participação de Dominguinhos, que sola por alguns compassos. Carmélia Alves, a ‘‘rainha do baião’’, também aparece em ‘‘Vamos Ajuntar os Troços’’ (Antonio Barros).
Com jeito de coletânea, ‘‘Xodó do Brasil’’ reúne as principais composições de Anastácia, autora de ‘‘Eu Só Quero um Xodó’’ e ‘‘Tenho Sede’’, ambas em parceria com Dominguinhos. A cantora fecha o disco com ‘‘Vizinha Impertinente’’, do compositor Olegário Mazzer, que morreu no ano passado em Londrina. Para quem gosta de forró, os três álbuns são tiro certo.

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