Forró em boa companhia
Francelino França
De Londrina
Quem vai levantar poeira no Bar Valentino hoje, em Londrina, é o grupo Pedra de Vento, chegando no maior embalo do Rio de Janeiro, trazendo pérolas do forró. Essa é a primeira vez que eles se apresentam na cidade. A expectativa é das maiores, porque dois dos integrantes da banda participaram da banda Iguaranoise.
As notícias que eles trazem das andanças pelo País, é que cada vez mais jovens de todo o Brasil vêm descobrindo o prazer de dançar esse gênero contagiante, num verdadeiro movimento de renovação do forró. Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, só para citar algumas capitais, possuem casas que privilegiam a batida da zabumba. Alguns grupos formados recentemente têm agregado as mais variadas influências musicais ao forró. A galera do Pedra de Vento, por exemplo, já flertou com o rock e MPB.
O vocalista, o londrinense Daniel Belquer, entre uma praia e outra, fazia trilha sonora para teatro no Rio. Acabou sendo convidado para uma festa, em 1998. Eram 3.000 pessoas num lugar paradisíaco em Santa Teresa. Fiquei louco com aquilo, só juventude, ciranda, cantiga de roda, integrando as pessoas, rememora Daniel, sobre o bat local inesquecível. Virou público. E um dos mais fiéis.
Juntamente com outro músico, começou a tocar na praia, conseguindo uma repercussão manera, como se diz por lá. Quando a formação da banda estava completa, o negócio foi vasculhar baús atrás de muito som bom. O forró congrega vários ritmos, como o xote e o baião, como explica o músico. O som produzido pelo grupo mescla harmonia jazzísticas, guitarra com sanfona, zabumba e o triângulo.
Na busca de repertório, o Pedra de Vento pesquisou e tocou muito forró pé de serra, o mais puro e tradicional forró concebido por Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Jackson do Pandeiro. Receberam preciosas informações sonoras dos grupos Forróçacana, Paratodos, Cascabulho e Baião de Corda, todos da cidade maravilhosa.
Segundo o vocalista, o som produzido pelo Pedra de Vento foge aos padrões do forró pasteurizado que invade as FMs daquelas paragens. Nas palavras de Daniel Belquer é uma curtição tocar forró, não é coisa de missionário.
Pedra de Vento deu as primeiras batidas em abril desse ano. Querem ganhar experiência e agregar mais músicas ao repertório, para depois partir para a gravação de um CD. Dentro da cultura forrojazzística rola também uma moda específica, com nítidas referências do interior. As garotas se enfeitam e preferem vestidos com estampas florais. Os rapazes encaram o streetwear junino.
No programa desse show de estréia constam Abri a Porta (Dominguinhos, Gilberto Gil); O Canto da Ema (João do Vale); Anunciação (Alceu Valença). A batida diferente vem da fusão de clássicos com forró, como Libertango e Adios Nonino de Astor Piazzola, Suíte nº 1 em Sol Maior para Violoncelo (J.S. Bach) e Naima (John Coltrane). Será que isso dá liga? É ouvir pra crer.
Além do clássico adaptado para o forró, os guris estão num bate-coxa sem constrangimentos com ritmos característicos do Sul, como a milonga. A vontade de dançar vem a galope. Na estréia em Londrina, o Pedra de Vento conta com a participação do sanfoneiro gaúcho Manchinha, o que vai esquentar ainda mais a domingueira no Bar Valentino, às 19 horas, com entrada a R$ 5,00.





