O autor Manoel Carlos mostrou sua visão do cotidiano do sofisticado bairro carioca do Leblon de uma forma simples, objetiva e real na novela ‘‘Laços de Família’’. Uma estratégia já utilizada pelo autor em outros trabalhos, que mais uma vez deu certo. A novela que termina hoje, se não chegou a provocar uma verdadeira comoção nacional, pelo menos conseguiu atingir uma das maiores audiências dos últimos anos: ‘‘Laços de Família’’ deu picos de até 61 pontos no Ibope. E para manter a tradição e a simplicidade dos velhos folhetins, Maneco utilizou de uma receita manjada: o suspense. Só vai revelar com quem o truculento Pedro, interpretado por José Mayer, vai ficar no último capítulo: com a Íris ou Cíntia, personagens vividas por Deborah Secco e Helena Ranaldi, respectivamente.
Do resto, o autor preferiu apostar no mais esperado pelo público. Camila, papel de Camila Dieckmann, fica curada do câncer, enquanto Helena, vivida por Vera Fischer, realmente termina com Miguel, o afável editor de livros interpretado por Tony Ramos. Desfechos que já estavam previstos desde o início da novela. Com isso, o autor acaba agradando o próprio público, que não disfarçava a torcida por Miguel e pela cura de Camila. Mas ao longo dos quase oito meses em que esteve no ar, o autor não apostou apenas no previsível. A novela conseguiu levantar algumas polêmicas que ajudaram despertar o interesse do público como a história vivida pela garota de programa de classe média Capitu, papel de Giovanna Antonelli e ainda a discussão sobre transplante de medula.
E no decorrer da novela, Manoel Carlos dispôs ainda de uma inesperada promoção: a proibição temporária de alguns atores menores de 18 anos que participavam da novela. Por considerar fortes e violentas algumas cenas, o juiz Siro Darlan, da 1ª Vara da Infância e da Adolescência do Rio de Janeiro, entrou com uma ação pedindo a saída dos menores. O assunto virou manchete dos principais jornais e revistas do país e contou com a própria divulgação exarcebada da Globo. Mas, independentemente de todas estas polêmicas, ‘‘Laços de Família’’ realmente teve o mérito de ser um sucesso de público. Além de retratar muito bem o cotidiano, a direção, se não esteve brilhante e ousada, pelo menos não comprometeu. O diretor Ricardo Waddington, discípulo de Paulo Ubiratan, conseguiu impor um ritmo simples, porém dinâmico, na novela.
A Globo também não economizou para ‘‘Laços de Família’’ ser um sucesso de público. Durante todo tempo, manteve todos os cenários da trama como a livraria, o haras e todas as casas dos personagens Normalmente, depois de 1/3 da novela concluída, alguns cenários acabam sendo extintos para reduzir custos. Quanto à atuação dos atores, o autor Manoel Carlos acabando dando uma ‘‘colher de chᒒ para os homens. José Mayer foi um dos beneficiados. De um começo inexpressivo, o ator passou a ganhar força na trama. Com seu jeito truculento, ele despertou o interesse de várias mulheres da trama e ainda conquistou a simpatia do público.
Outra surpresa foi Alexandre Borges na pele do divertido Danilo. Ao demonstrar uma faceta humorística pouco conhecida do público, Danilo serviu para amenizar o clima tenso de alguns capítulos da novela. Alexandre Borges acabou até criando um estilo no país: ser Danilo virou sinônimo de ‘‘boa vida’’. Porém, por mais que os homens tenham se esforçado, mais uma vez as mulheres brilharam na novela de Maneco. Destaque para Giovanna Antonelli, Deborah Secco e ainda Marieta Severo, a matriarca da Família Flora. As três conseguiram despertar ódio e compaixão do público. Principalmente Giovanna, que de uma simples coadjuvante, ela passou a uma das protagonistas da trama.
Já Vera Fischer acabou não brilhando, mas também não comprometeu. Outro personagem que também não emplacou foi o de Tony Ramos. Ele passou toda trama tolerando aqueles que o cercavam. Já Reinaldo Gianecchini, a grande aposta da direção da novela, seguiu uma atuação mediana. O fiasco ficou por conta de Paulo Zulu, que não disse a que veio. Ao contrário de ‘‘Laços de Família’’, que com um enredo simples e objetivo, conseguiu comprovar que o formato das telenovelas brasileiras ainda está longe de ser esgotado.

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