A grade das emissoras é marcada por constantes reformulações. Todo ano, em abril, uma nova programação é apresentada. Mesmo com as mudanças, alguns produtos ficam no ar ao longo dos anos. O motivo que rege essa "seleção natural" é uma mistura que envolve fatores como audiência, contrato, identificação com o público e, claro, retorno financeiro. Quando o assunto são programas exibidos há muito tempo, os jornalísticos são os que têm maior sobrevida. O "Jornal da Band" e o "Jornal Nacional", da Globo, exibidos desde 1967 e 1969, são os campeões de longevidade no setor e mantêm a mesma linha. Ao contrário do "Fantástico" – que completa 41 anos em 2014 –, que mudou muito com o passar do tempo. "É um desafio muito grande apresentar um programa do porte do 'Fantástico' e corresponder às expectativas", diz Renata Vasconcellos, que assumiu a apresentação do formato em sua última reformulação.
Relativamente novo, o concorrente direto do "Fantástico" é o "Domingo Espetacular", da Record. Idealizado a partir de uma cópia da revista eletrônica global, o programa comemora uma década este ano, sagrando-se como a principal audiência da emissora. "Chegamos pesado e consolidamos nosso programa. Aquele programa cansado e exaurido que víamos mudou para acompanhar nossa transformação", opina Paulo Henrique Amorim, apresentador do "Domingo Espetacular", alfinetando o concorrente. Outro formato da Globo que tem passado por muitas reformulações é o "Vídeo Show". No ar desde 1983, o diário agora tem Zeca Camargo como apresentador e repórter. Sem grandes produções, o formato visita "sets" de filmagem e "baba" em cima dos artistas da casa. Na onda de misturar jornalismo com entretenimento, o "CQC" da Band já acumula sete anos no ar. Em comparação, é relativamente novo. Mas, talvez, o que tenha tido mais destaque nos últimos anos. Com ampla capacidade de se reinventar – trocar membros de sua equipe, inclusive – sem perder sua essência, o programa sobrevive com bons níveis de audiência. "O único ano que não crescemos em audiência foi 2013. Parte da equipe mostrava desânimo. Por isso, para este ano, mudamos o elenco e fizemos reformulações", palpita Marcelo Tas.
A parte de humorísticos é a que mais sofre com cancelamentos e muitas produções não têm gás para seguir por mais de duas ou três temporadas. Isso se deve à falta de consistência dos programas. Eles vão degringolando na tentativa de se equiparar – para o bem ou para o mal – à concorrência e acabam não se aprofundando. No entanto, existem dois que persistem, apesar de não serem exatamente unanimidades. Na Globo, o "Zorra Total" completa 15 anos este mês. Já o SBT mantém no ar o humorístico mais antigo da tevê aberta ainda em atividade. "A Praça é Nossa" é exibida desde 1987 pela emissora de Silvio Santos – mas estreou na tevê em 1957, no canal TV Paulista, sob o nome de "Praça da Alegria". "É uma receita simples, mas que permite evolução. Temos um público cativo, mas investimos em novas ideias para continuar conquistando telespectadores", garante o "síndico" da praça, Carlos Alberto de Nóbrega. No SBT, inclusive, reúne-se a maior rotatividade de programas de auditório. Todos com expressivo tempo no ar. O mais clássico no gênero, o "Programa Silvio Santos" é apresentado desde 1963 e passou por diversas emissoras, como Globo, Paulista, TVS e Tupi.
Já na dramaturgia, existem poucas séries que conseguem seguir com fôlego para sobreviver à passagem do tempo. Ao contrário da tevê americana, que fideliza seus telespectadores com produções de 15 ou 20 temporadas, a tevê brasileira ainda caminha nesse sentido. Superior na teledramaturgia, a Globo mantém o título de emissora que emplacou produtos por mais tempo. "A Grande Família", por exemplo, entra na próxima semana em sua 14ª temporada. Já "Tapas & Beijos" vai para o seu quarto ano. Se a trama de Nenê e Lineu, interpretados por Marieta Severo e Marco Nanini, chega ao fim este ano por falta de caminhos para percorrer, "Tapas & Beijos" ganha mais fôlego para seguir como uma das séries de maior sucesso na emissora. "Reformulamos a equipe de roteiristas. Deixamos pessoas que já sabiam como era a série e pegamos novos olhares de fora para dar um gás aos personagens", explica Maurício Farias, diretor da produção.

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