Curitiba - O personagem Smilinguido aquela formiguinha simpática que sempre tem uma boa mensagem na manga nas situações mais esdrúxulas ganha as telas pela segunda vez, agora em versão longa-metragem. ''A Invasão'' ainda está em processo de distribuição para as locadoras, mas antes mesmo de ser lançado, 20 mil cópias já estavam reservadas. A expectativa é distribuir, ainda esse ano, pelo menos 200 mil em todo o País. Sem apoio de leis de incentivo, o desenho animado foi integralmente produzido no Paraná, com um orçamento considerado modesto para uma animação de 50 minutos: R$ 520 mil.
Apesar de ser uma animação aparentemente simples e sem usufruir de tecnologias mirabolantes utilizadas atualmente, o desenho levou quatro anos para ser feito em um processo que consumiu o trabalho de uma equipe de cerca de 50 pessoas. Onze delas, participaram desde o começo da produção. É o caso do produtor do longa Samuel Erbele Santos, que conta algumas curiosidades do processo. ''Foram realizados 36 mil desenhos. São 12 desenhos por segundo que aparecem na tela'', revela Santos.
O resultado, opina o produtor, é um desenho com uma qualidade técnica, ainda que modesta, mais apurada do que foi o primeiro: a animação ''Smilinguido em Moda Amarela'', lançado em 1995. Ele admite que a disposição de algumas técnicas que não eram utilizadas há sete anos, por exemplo, e puderam ser usadas na produção atual contribuíram para a realização do longa. '' O anterior tinha uma definição de imagem menor, o que não acontece em 'A Invasão''.
Enquanto o primeiro desenho animado, com 35 minutos de duração, tratava de temas como a inveja e a cobiça, ''A Invasão'' amplia a temática abordada e traz questionamentos como a defesa da natureza e o poder. No filme, chama a atenção uma curiosidade, que coloca em dúvida a qualidade do som e da dublagem. Dois personagens Pidas e Piriá são dublados com vozes extremamente carregadas no sotaque nordestino e catarinense que prejudicam até mesmo a compreensão do texto.
O produtor garantiu que a fita que a reportagem teve acesso faz parte de um lote com algum tipo de defeito técnico no som, mas que já está sendo reparado pela Editora Luz e Vida, que produziu e lançou o filme. Já os sotaques exagerados fazem parte da proposta da editora de caracterizar o filme como nacional. ''O filme é reconhecido como brasileiro por causa desses personagens'', afirma.
Ele salienta que na produção de um desenho animado, a entonação do dublador é de extrema importância na criação e no desenvolvimento do desenho. ''Os movimentos foram realizados de acordo com a característica da voz do personagem'', explica. Admite no entanto, que a maioria das pessoas que fizeram as vozes dos personagens cerca de 20 pessoas são amadores. Eles gravaram as vozes, orientados por Dario Camargo, funcionário da editora que promove atividades culturais e teatrais. ''As pessoas decoraram o texto e ele ensaiou a entonação depois'', conta Santos.
''A Invasão'' conta as aventuras das Formigamigas. Além de Smilinguido, os personagens são a Rainha Formosa, autoridade máxima no formigueiro. Ao seu lado, está sempre o seu leal conselheiro Mestre Formisã. Pildas é um nordestino bastante desligado e que vive se metendo em confusões. Já o impetuoso Piriá, com o carregado sotaque do ''sul da floresta'' é o amigo inseparável do personagem central.
Também aparecem figuras curiosas como a Faniquita, uma formiguinha que sonha em ser rainha; o comilão Forfo; o General Vital; O Capitão Cortador; Tongo e Saula. Todas formigas empenhadas em preservar (ou destruir, dependendo do lado em que se encontram) o ambiente.
O personagem central da trama animada, surgiu na década de 80 ilustrando os quadrinhos de jornal e em paralelo passou a ilustrar agendas, cartões, marcadores de livros e afins, antes de incursionar pela animação. Por questões financeiras e de distribuição se mantém apenas nas fitas de vídeo e ainda não se aventurou para as telas de cinema. ''A Invasão'', no entanto, deve ser lançado em DVD no ano que vem, com versões em inglês e espanhol.
A formiguinha questionadora foi criada por um grupo de jovens evangélicos e a produção é exclusividade da Editora Luz e Vida. Em algumas histórias talvez, demonstre uma certa tendência maniqueísta, mas sempre revela um bom humor surpreendente, que independente da inclinação religiosa dos leitores ou telespectadores, traz sempre uma boa mensagem.
Serviço: As fitas já podem ser encontradas nas locadoras ou adquiridas na Editora Luz e Vida, em Curitiba, por R$ 24,90. A editora fica na Rua Trajano Reis, 672, telefone (41) 323-2244.

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