Parafraseando o escritor Monteiro Lobato, que dizia que "um país é feito de homens e livros", na Escola Municipal Dr. João Ribeiro Jr., de Uraí, a citação ganhou uma palavra a mais: "a agricultura". Com o intuito de incentivar o hábito da leitura e a valorização do trabalho rural, a escola envolveu alunos do quinto ano do ensino fundamental na II Feira Literária, realizada no dia 22 de agosto, e que teve como temática "Um olhar no campo". Os melhores trabalhos de maquete e fotografia foram premiados.
"A leitura gera conhecimento, promove um pensamento questionador que pode mudar a realidade em volta, e a agricultura também é fundamental para a redução da pobreza e a promoção da igualdade social", ressaltou a professora Leda Maria Bozelli, idealizadora do projeto durante solenidade de abertura do evento. O projeto foi elaborado para participar do Programa Agrinho 2013.
No Clube Recreativo Uraiense, os trabalhos realizados durante o primeiro semestre puderam ser conferidos por alunos de outras séries da escola e de mais 15 instituições de educação (inclusive centros de educação infantil) do município, que com cerca de 11 mil habitantes é reconhecido pela intensa atividade rural. Maquetes caprichadas sobre o Sítio do Picapau Amarelo chamavam a atenção principalmente dos pequenos. Releituras de obras de arte que mostram o meio rural, como as do pintor Cândido Portinari, também foram destaque.
A aluna Anna Vitória Batista Pereira se esmerou nos detalhes da sua maquete e ficou com o primeiro lugar. "Deu muito trabalho, principalmente a casa de papelão, e o meu pai ajudou bastante. Fiz um Sítio do Picapau Amarelo do jeito que imaginava que seria", observou.
Durante a realização do projeto, diversos gêneros literários foram trabalhados com os alunos, inclusive o suplemento Folha Rural, da Folha de Londrina, em que as reportagens serviram de fonte de pesquisa para os alunos. Aliás, os alunos acabaram se transformando em repórteres mirins e fizeram entrevistas com alguns agricultores para entender um universo tão próximo, mas que ainda reserva muitas dúvidas, como a diferença entre a agricultura de subsistência e comercial, e curiosidades. As entrevistas registradas em folhas de caderno foram disponibilizadas para a conferência dos visitantes nos períodos da manhã e da tarde. Histórias em quadrinho, mapas conceituais, lendas do folclore e elaboração de causos também integraram o estudo e a produção de texto.
A fotografia também serviu como recurso para apurar o olhar das crianças para o meio rural que está à volta – assim como a identificar a beleza inserida nele. Com câmeras não profissionais, os alunos passaram a prestar mais atenção na paisagem e registrar com um clique aquilo que mais chamava a sua atenção.
A mostra "Valorizando a Agricultura" resultou em uma grande variedade de olhares sobre o campo. O registro da aluna Ana Júlia Fernandes de Oliveira, 10 anos, conquistou o primeiro lugar do concurso de fotografia. Ela conta que "descobriu" a sua paisagem durante um passeio de carro com os pais pela região. "Gostei do contraste de cores, achei bonito e pedi para o meu pai parar para eu fotografar", lembrou.
O evento ainda contou com uma singela apresentação de teatro com os alunos baseada na fábula "O Rato do Campo e o Rato da Cidade", que conseguiu ilustrar com simplicidade e bom humor onde está a verdadeira fonte de fartura e felicidade. "É necessário sempre procurarmos meios de envolver as crianças no meio literário. Não basta simplesmente falar que elas têm que ler. Isso tem que ter sentido e precisamos dar respaldo para o aluno sobre por que é importante ler, para quê, e como", avalia a professora.

Cantinho especial
Nas salas de aula, o "Cantinho da Leitura" é um espaço permanente conquistado pelos alunos e ele também esteve presente da feira literária. Após a realização das atividades em sala de aula, os alunos têm à disposição uma série de livros, gibis, revistas sobre ciências e exemplares da Folha de Londrina para ler.
Além disso, eles também participam do projeto "Sacola Viajante". A cada dia, um aluno leva para casa uma sacola especialmente customizada com algum material de leitura para ser lido em família. Um Diário de Leitura serve para registrar as impressões do aluno e dos pais sobre o que foi lido em conjunto. "É um momento importante de interação entre pais e filhos e demonstra um respeito e compromisso com a educação", pondera a professora.

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