Formações rochosas encantam os turistas em Vila Velha
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terça-feira, 14 de outubro de 2003
Flávia Perin<BR>Agência Estado 
Ponta Grossa - Se você olhar para a direita da estrada que liga Curitiba a Ponta Grossa, lá pelo quilômetro 80, vai observar um estranho conjunto de pedras gigantes que surgem em meio aos Campos Gerais do Paraná. É um fenômeno natural de aproximadamente 300 milhões de anos. Bem-vindo ao Parque Estadual de Vila Velha, que preserva todo esse tesouro desde 1953 e foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Estadual em 1966.
O que se sabe é que essas formações rochosas denominadas arenitos são resultado de uma história que começou há 600 milhões de anos, quando a região era coberta por um oceano interior que, nos 200 milhões de anos seguintes, passou por cataclismos e explosões vulcânicas. Consequentemente, formaram-se montanhas. Daí vieram as glaciações e tudo foi coberto pelo gelo. Mais alguns tantos milhões de anos e esse gelo começou a derreter, arrastando pedaços de rochas e depósitos de areia deixados pelo extinto oceano. Com a ação dos ventos e da chuva, surgiram esculturas naturais. E, como a natureza nunca deixa de agir na paisagem, esse museu a céu aberto está literalmente vulnerável a novas mudanças.
Explicações históricas e geológicas feitas, é hora de ver de perto toda essa grandiosidade. O acesso é facilitado pela boa qualidade da estrada a BR-376. Nela há a indicação para entrar no parque. Mais alguns minutos e você estará na portaria, onde paga o ingresso e ganha um folheto explicativo e um saquinho de lixo para não poluir o meio ambiente. Siga adiante, estacione o carro e já será possível contemplar a beleza do lugar.
Não se assuste com os quatis. Esses bichos ficam soltos por lá e é só cumprir a recomendação de não dar alimento a eles que tudo correrá bem. Aproveite que não são arredios e tire algumas fotos mais próximas. Mas poupe seu filme, há muito mais pela frente.
Agora vem uma caminhada de um quilômetro, que pode iniciar-se pela Trilha do Bosque ou pela Trilha dos Arenitos. Indo pelo bosque você começa vendo imensas rochas que chegam quase a formar grutas. O primeiro cenário de impressionar é a Pedra Suspensa. Como diz o nome, trata-se de uma pedra que fica entre duas paredes rochosas, lá no topo, e parece que vai cair. Ande com calma entre os corredores formados pelos rochedos e observe cada detalhe.
Mais adiante estão os arenitos mais famosos: Taça, Esfinge, Bota, Cara do Índio, Garrafa e Camelo. Está tudo ali, e é inegável a nitidez das imagens.
Aproveite o passeio e faça um piquenique. Há mesinhas na sombra e quiosques com torneiras para os visitantes. Caso não tenha preparado nada, pare na lanchonete que fica na entrada do parque. Só não deixe vestígios, a natureza agradece.
A cinco quilômetros de Vila Velha, mais duas atrações: Furnas e Lagoa Dourada. As furnas são crateras areníticas profundas na terra, também chamadas de Caldeirões do Inferno. Nesse local existem duas com profundidade de cem metros e volume d'água que vai a quase 50 metros. Na mais funda, um elevador panorâmico leva os turistas ao seu interior, que tem um deque sobre o espelho d'água. A outra furna pode ser admirada do alto e é tão bela quanto a primeira.
No sentido contrário de Furnas, a três quilômetros por caminho asfaltado, a Lagoa Dourada encanta com seus 690 metros de perímetro e peixes como traíra, tubarana e bagre. A origem da lagoa e o nível de suas águas são os mesmos das furnas, mas há um desnível no solo em volta. Não se sabe ao certo se seu nome vem da presença, em épocas passadas, do peixe dourado ou do fato de que, ao entardecer, o reflexo do sol bate na água e confere essa coloração. Pouco importa, essa maravilha ninguém discute.


