Ken Regan/DivulgaçãoHarrison Ford e Brad Pitt, imbatível encontro de gerações.É o que se poderia chamar de uma dupla em ponto de bala. Reunidos pela primeira vez, Harrison Ford e Brad Pitt são o creme de la creme comercial de suas respectivas gerações, nomes em que qualquer produtor apostaria sem nenhuma hesitação. Se cada um por si arrasta multidões, juntos agora pela primeira vez em ‘‘Inimigo Íntimo’’(veja a programação de cinema na página 3) pelo menos em tese devem detonar a partir de hoje as bilheterias do planeta. O casamento entre os dois é representação emblemática de uma das mais antigas e mortíferas armas estratégicas da seção that’s entertainment , continuamente disparada com sucesso por uma Hollywood que não se cansa de experimentar fórmulas diversificadas para a perpetuação de suas melhores e mais selecionadas espécies. No caso de Ford e Pitt, a aposta no retorno do investimento é tida como dinheiro em caixa: além dos dois, há um argumento potencialmente atraente e um bom diretor envolvido, além da quase sempre irrepreensível produção made in USA .
Irlanda em Nova York Irlandeses nos Estados Unidos não são novidade. A colônia é grande e histórica. O que não é comum, pelo menos na superfície, é a presença de ativistas da eterna luta irlandesa contra a dominação britânica. O jovem Francis McGuire, ou Rory Devaney (Brad Pitt) é um deles. Ele foge de uma prisão inglesa e chega a Nova York. É recebido e se hospeda na casa de um policial de descendência irlandesa, Tom O’Meara (Harrison Ford). Entre os dois nasce um forte vínculo de amizade, entendimento e respeito. Mas enquanto O’Meara faz suas rondas pela cidade, Devaney está tentando negociar mísseis no mercado negro, com a atenção voltada para a luta armada em Belfast. Aos poucos, policial e ativista acabam se colocando mais visivelmente em lados opostos. O conflito é inevitável.
‘‘Este foi um dos filmes mais complexos que já fiz’’. O comentário é do veterano diretor Alan J. Pakula, que aos 69 anos e com 15 longas na bagagem deve saber do que está falando. A melhor parte de seu currículo é a mais antiga, aquela de cineasta engajado (sem posar de tipo) que cobre o período de 70 a 82. Alí estão títulos de peso, como o excelente policial ‘‘Klute’’, os sólidos thrillers político-paranóicos ‘‘A Trama’’ e ‘‘Todos os Homens do Presidente’’, o sombrio e intimista neo-western ‘‘Raízes da Ambição’’ e o competente melodrama ‘‘A Escolha de Sofia’’. Pakula andou arranhando sua reputação de algum tempo para cá, assinando projetos discutíveis como ‘‘Jogos de Adultos’’ e ‘‘O Dossiê Pelicano’’.
Segundo ele, ‘‘o assunto de ‘The Devil’s Own’ é tão rico que proporciona diferentes maneiras de abordagem. Nós transportamos o drama da discórdia na Irlanda para a relação entre os dois homens. E até nesse caso, a afeição que um sente pelo outro e a descendência comum podem ser insuficientes para estancar a maré de violência. Nós acreditamos que enquanto as soluções políticas podem ser encontradas algum dia, quando as duas partes sentarem frente à frente, as respostas podem estar escondidas no coração humano’’.
Egos comportados É conhecida a fama doméstica de Harrison Ford. Ator recatado, cidadão caseiro, enfiado com a família num rancho longe da fogueira de vaidades hollywoodianas. Mas apesar da folha corrida exemplar, é difícil acreditar que ‘‘o astro do século’’, segundo decidiu em 94 a Associação Nacional dos Proprietários de Salas de Cinema dos Estados Unidos, não tenha lá suas idiossincrasias. Por outro lado, a carreira quase fulminante de Brad Pitt, a partir do cowboy caronista que despertou em Thelma/Geena Davis o adormecido universo reichiano, há apenas seis anos, vem dando algumas dores de cabeça para quem se relaciona com ele, dentro e fora dos sets.
Mas segundo Pakula, tudo correu bem. ‘‘São dois atores notáveis, possivelmente representam os melhores expoentes de suas gerações’’, diz o diretor. ‘‘Durante as filmagens, ambos se mostraram dispostos a sacrificar o próprio ego em benefício do filme, buscando alcançar o melhor desenvolvimento possível de seus personagens. Este é o tipo de problema que qualquer diretor adoraria ter: entrelaçar duas personalidades tão poderosas em uma história. ‘Inimigo Íntimo’ é um filme de suspense, que eu geralmente gosto de fazer. E cada um desses dois atores é capaz de manter o público entretido e de tirar o fôlego da platéia conforme a movimentação de seus personagens.’’

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