O embate entre opostos é o fio que conduz "Ligações Perigosas". Na minissérie, que estreia hoje, o duelo entre inocência e malícia, desejo e virtude, sensualidade e castidade e amor e vingança permeia a história de Manuela Dias, inspirada na obra epistolar "Les liaisons Dangereuses" (As Ligações Perigosas), de Chordelos de Laclos – romance já adaptado para o cinema onze vezes.
Na história ambientada na região litorânea do Brasil na década de 1920, Isabel e Augusto, interpretados por Patrícia Pillar e Selton Mello, são libertinos convictos e amantes ocasionais. Elegantes e amorais, eles ocupam seu tempo com jogos de conquistas. "O duelo entre o feminino e masculino, matriarcado e patriarcado, é uma das forças motrizes da sociedade desde sempre e está muito presente na trama", explica Manuela, que tem Duca Rashid na supervisão de seu texto.
A relação dos protagonistas vai bem, entre a luxúria e a vaidade, até que um terceiro elemento entra na história e desestabiliza o jogo. "Acredito que a gente viva em um momento que o amor está banalizado de alguma forma. É como se a ideia de um amor que se realiza na positividade fosse algo quase subversivo", analisa Manuela.
Mariana, interpretada por Marjorie Estiano, é a "bola da vez" da brincadeira entre Isabel e Augusto. Casada e virtuosa, ela vai passar uma temporada na casa de Consuêlo, personagem de Aracy Balabanian. E vira o objeto de desejo de Augusto, que passa a ter como objetivo conquistar a carola. O que ele não esperava é que iria se apaixonar por ela. "O amor é quase como um veneno para ele. É incompatível com tudo que ele tinha antes", opina Selton.
Para dar o clima à história, o diretor Vinícius Coimbra optou por insinuar mais do que mostrar a libertinagem do início do Século XX. "Investimos em uma sensualidade implícita. Vamos fazer o telespectador achar que está vendo o que não está. Instigar é bom", explica. Além do trio principal, outros nomes como Alice Wegmann, Leopoldo Pacheco e Yanna Lavigne estão no elenco.
Parte da trama foi gravada na Argentina, no litoral de Puerto Madryn, durante o mês de outubro. Para Vinícius Coimbra, a história carecia de um "ar europeu". "Além disso, nossa intenção era dar o tom de um lugar que não existe", explica o diretor.
Um dos cenários mais marcantes de "Ligações Perigosas" é a casa de Isabel. A sala tem 310 m² e 5,6 metros de pé-direito. "Ela é uma personagem refinada, viajada. A riqueza de escolhas dela só seria crível assim", destaca o cenógrafo Paulo Renato. Para contrastar, a casa de Mariana é sóbria e com ar gélido. "Ela é uma pessoa contida, dentro da fé religiosa dela. Usamos uma palheta de cores mais escuras", diz Paulo.
O figurino também foi elemento importante para a construção dos personagens. Para Marília Carneiro, figurinista responsável pela trama, era preciso não fixar moldes. "Desconstruímos a época e tomamos algumas liberdades. Por exemplo, a maquiagem está muito aproximada da gente", revela.
Apesar de ter apenas dez capítulos, para os atores, a construção para "Ligações Perigosas" foi um processo árduo. "Estamos lidando com personagens muito densos e fortes. A câmera vai trazer para o público esses duelos com muita sensibilidade e pouca interferência", diz Denise Saraceni, diretora de núcleo da minissérie.
Patrícia Pillar, que protagoniza cenas lascivas, diz que a sensualidade não foi o maior desafio para interpretar Isabel. "Foi muito trabalhoso. Ela tem muitos lados, é escorregadia", entrega a atriz. Já para Marjorie Estiano, as cenas de reclusão de Mariana foram as mais difíceis. "Ela fica enclausurada por cinco dias até morrer. Fizemos as cenas direto, durante vários dias. Foi muito desgastante", afirma.

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