Curitiba- O governo do Estado vai criar uma força-tarefa para combater o corte ilegal de araucárias no sul do Paraná. Esta é apenas uma das propostas para a recuperação e preservação ambiental relatadas pelo secretário de Estado do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, em entrevista à Folha de Londrina.
Folha- Qual o diagnóstico que pode ser feito hoje da situação ambiental do Paraná?
Luiz Eduardo Cheida- O Paraná tem problemas sérios. Eu citaria a crescente devastação da floresta de Araucária, com a perda de espécies animais e vegetais singulares. Hoje nós não temos 0,8% do que tínhamos de reservas florestais há 30 anos.
Folha- E como evitar que o desmate acabe com a reserva florestal que nos restou?
Cheida- Estamos fazendo um plano de coibição dessa prática. O governador (Roberto Requião) deverá anunciar, nos próximos dias, uma força-tarefa envolvendo o Ministério Público, Ibama, Polícia Florestal, IAP, Polícia Militar, Polícia Civil, Receita Federal e Receita Federal para realizar operação de caça aos criminosos que cortam araucária, imbuia e canela.
Folha- E o reflorestamento, como será feito?
Cheida- Estamos estudando a recomposição da reserva legal, de mata ciliar e a delimitação de locais para a criação de parques estaduais e federais. Além disso, cada reflorestador que plantar sua floresta de pinus para manejar, terá que plantar um remanescente de araucária. Estamos discutindo a quantidade ainda.
Folha- Existe como recompor a fauna perdida nas áreas de florestas de araucária?
Cheida- É mais difícil. Eu determinei que o símbolo da nossa Secretaria fosse o lobo-guará, que é justamente da fauna da floresta de araucária. Ele e a gralha azul. Na medida que os corredores ecológicos voltarem a aparecer, esses animais voltarão a ter condições naturais de reprodução. A volta ao equilíbrio é difícil, demora centenas de anos.
Folha- Outro problema ambiental detectado é a poluição de rios em áreas agrícolas. Como controlar esse problema?
Cheida- Acredito numa agenda positiva. Vamos replantar matas ciliares, começando pelo noroeste do Estado. Estamos trabalhando também para que haja redução de agroquímicos, através do estímulo à produção de alimentos orgânicos. Para isso implantaremos a merenda orgânica nas escolas estaduais para 1,3 milhão de alunos.
Folha- E com relação aos aterros sanitários e o lixo produzido pelas cidades?
Cheida- Vamos reduzir o volume e a tonelagem do lixo em 20% até 2006. Significa por volta 1,5 milhão de toneladas de lixo por dia a menos no meio ambiente. Vamos usar a legislação para que os produtores e os supermercados tenham que retirar as embalagens de circulação. Além disso vamos desenvolver centrais de moagem de entulho. Somente em Curitiba são produzidas 800 toneladas por dia de entulho da construção civil. Dá para reaproveitar tudo para a construção de casas feitas com blocos, como fiz quando eu era prefeito de Londrina.
Folha- E o controle de erosões?
Cheida- A intenção é fazer uma ação em conjunto para reflorestar as margens dos rios. Com isso, conteremos as erosões.
Folha- E as reservas que já existem, como a Vila Velha e a Estrada da Graciosa, como serão tratadas?
Cheida- Vila Velha estamos reabrindo assim que a Justiça permitir. Já iniciamos o processo de licitação de transporte, alimentação, guias turísticos, capacidade de suporte do parque. Estamos com um programa de recuperação da Graciosa e iniciaremos o Caminho de Itupava que tem 22 quilômetros, começa em Quatro Barras e vai até o Porto de Cima e foi muito usado pelos jesuítas. Outros serão feitos. Temos 63 unidades de conservação no Estado e apenas 20 são abertas à visitação. Vamos abrir todas elas.
Folha- Como fiscalizar essas unidades?
Cheida- Estamos criando a Polícia Ambiental para que os guardas morem dentro do parque. Ela estará subordinada à Secretaria do Meio Ambiente e sairá dos quadros da Polícia Florestal. Vamos ter 50% a mais de homens hoje são 300 e mudaremos o uniforme deles.
Folha- E os desastres ambientais. Como coibi-los?
Cheida- Temos 20 escritórios do IAP. Determinei que fosse feita uma ''hot list'' do Estado. Queremos saber os pontos quentes. Faremos um mapa para atuarmos preventivamente. Locais como Araucária (Petrobras), Noroeste (que tem alta fragilidade ambiental), Rio Iguaçu vão estar presentes na listagem e serão monitorados mais constantemente.

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