Força interior
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terça-feira, 14 de outubro de 2014
Geraldo Bessa<br>TV Press 
A imagem de Chandelly Braz evidencia sua força. Do carregado sotaque pernambucano, passando pelo sorriso sincero e o olhar atento, tudo na atriz faz parecer que ela sabe exatamente o que quer. O discurso só confirma isso. Perto do final de "Geração Brasil", onde viveu a igualmente decidida Manu, Chandelly se mostra muito mais profissional com a tevê, mas não esconde o desgaste.
"Nunca trabalhei tanto. Adorei a personagem, fico feliz com o resultado do trabalho, mas protagonizar uma trama me confirmou que necessito buscar coisas fora da tevê. Não preciso nem descansar, tenho apenas de respirar no teatro", pondera.
Natural da pequena cidade mineira de São Domingos do Prata, Chandelly foi ainda bebê para Pernambuco. Lá, morou no interior e na capital, Recife. "Sou pernambucana. Cresci e me criei em Pernambuco. Isso está nas minhas referências e no meu DNA artístico", conta.
Sua história com as Artes Cênicas, inclusive, serviu de inspiração para seu primeiro trabalho de destaque na tevê. Sob o comando de João Falcão, Chandelly participou da adaptação da peça "Clandestinos" que foi ao ar com o nome de "Clandestinos O Sonho Não Acabou". Logo depois, foi aprovada em um teste para "Cheias de Charme", onde chamou atenção por conta da "periguete" Brunessa. "Devo muito a essa personagem. Ela representa o início da minha relação com a tevê", valoriza.
"Geração Brasil" termina no início de novembro. Qual foi o saldo desse seu primeiro trabalho como mocinha?
É uma experiência muito rica para mim. Estou na minha terceira novela, mas nunca tinha tido o volume de trabalho como eu tive com "Geração Brasil". Então, fazer uma trama como protagonista é um exercício totalmente diferente. Me deu uma visão mais ampla do trabalho que se faz na tevê.
Como assim?
É uma rotina pesada, pois você precisa estar sempre pronta para entrar em cena. Descansava nos intervalos já pensando no que eu tinha de fazer em seguida. Acho que agora sei bem como funcionam as coisas, tenho uma noção mais disciplinada dos bastidores. Não que eu já não levasse tudo muito a sério. Mas agora é bem diferente.
O peso das personagens dentro dos próximos projetos será algo melhor avaliado por você depois da Manu?
Não tenho essa vaidade. Saio dessa novela muito mais madura. E na certeza de que, apesar de adorar fazer televisão, não posso me fechar nela. Protagonizar é muito prazeroso, mas me confirma que tenho de me aproximar de outros veículos, voltar a fazer teatro, flertar com o cinema, para depois fazer tevê de novo. Preciso de um respiro artístico e, quando se está gravando, fica impossível fazer outras coisas.
Em algum momento você pensou que não fosse dar conta do recado?
Bateram algumas incertezas sim. Mas estou buscando essas oportunidades há mais de 10 anos. Aconteceu de forma natural e nunca tive medo de trabalho. Tenho mais receio da falta de oportunidades do que do excesso delas (risos). E olha que meu início de carreira não foi fácil. Sou apaixonada por teatro. Todo mundo que é assim sabe o quanto é difícil se desvincular de alguns valores mais artísticos.
Você tem duas novelas das sete e uma elogiada atuação em "Saramandaia", exibida às 23 horas. Com qual das produções se identifica mais?
São segmentos bem complementares para mim. Gosto do que é feito às sete. Mas é claro que as novelas das onze têm muito mais liberdade. "Saramandaia" já começou especial. A estreia foi bem na época das manifestações de 2013, o primeiro capítulo falava exatamente sobre uma renovação política. Foi um momento muito oportuno. Fora as cenas maravilhosas que a gente gravou nos Lençóis Maranhenses. É um trabalho muito representativo para mim. Agora quero experimentar os outros horários também.
Já existe algum convite para uma possível volta à tevê?
A produção das novelas trabalha com cada vez mais antecedência. Já tive conversa com alguns diretores e autores, mas nada foi decidido. Agora minha veia teatral está pulsando por trabalho. Não preciso descansar deitada na cama de casa, o que eu preciso é experimentar e fazer coisas diferentes no teatro. Só assim poderei voltar aos estúdios com todo o gás.


