A história por trás de "Escrava Mãe" é digna de uma novela. Idealizada no início do ano passado, a produção deveria ter sido lançada no último mês de novembro. No entanto, a boa audiência de "Os Dez Mandamentos" fez a Record temer a perda do público interessado apenas em tramas bíblicas. E aí resolveu segurar o folhetim de época assinado por Gustavo Reiz para reinaugurar seu segundo horário de novelas. Após seis meses, e sob protestos de vários integrantes de seu elenco – que ficaram impossibilitados de trabalhar em outra emissora por conta da exibição indefinida –, a espera termina amanhã. "Foi uma novela realizada com a calma necessária. A pré-produção foi eficaz, as gravações tiveram um bom cronograma e os adiamentos fizeram com que o produto fosse editado com qualidade. O lançamento vem na hora certa", minimiza Anderson Souza, diretor de dramaturgia da emissora.
Primeiro projeto da Record fora da esfera bíblica desde 2014, "Escrava Mãe" não chega a ser um tiro no escuro e tem conexão direta com o "remake" de "A Escrava Isaura", novela de 2004 que ressuscitou o setor de teledramaturgia da emissora. Para apostar no filão de época, a Record encomendou a trama ao autor Gustavo Reiz no final de 2014 e, como bem evidencia o título, a nova novela foca nos dilemas de Juliana, de Gabriela Moreyra, mãe da famosa escrava branca Isaura. Ambas as produções "bebem" na fonte da obra original de Bernardo Guimarães. "Criei com muita liberdade, mas o livro do Guimarães foi o ponto de partida para contar a origem da Isaura, uma história de forte dramaticidade e que exerce fascínio no público até hoje. Juliana carrega a mesma paixão e senso de liberdade", explica o autor.
Juliana é fruto de um estupro sofrido por sua mãe durante a viagem da África para o Brasil. Por conta disso, ela jura a si mesma nunca se deixar encantar por nenhum homem branco. "Juliana tem uma vida muito dura. Ela precisa ser forte e encarar tudo de frente. Apesar dos sofrimentos e humilhações, não se deixa abater e acredita em dias melhores. Construí a personagem por esse viés da esperança", conta Gabriela Moreyra que, depois de muitos papéis coadjuvantes em tramas da Record, estreia como protagonista.
O acaso deixa Juliana frente a frente com o jovem português Miguel, personagem vivido pelo ator lusitano Pedro Carvalho. Além de enfrentar enorme preconceito racial e de classes, o amor dos dois precisa sobreviver às armações de Maria Izabel, de Thaís Fersoza. Filha do dono da fazenda onde Juliana foi acolhida e cresceu, a vilã nem cogita perder um bom pretendente para uma escrava. "Para que a Juliana não sofra represálias, meu personagem precisa ser muito cuidadoso em suas ações. Miguel é bom em sua essência. A trama é carregada de um romantismo épico", elogia Carvalho, entusiasmado com seu primeiro trabalho em terras brasileiras. Ao lado dos protagonistas e da antagonista, o elenco foi escalado a partir do banco de atores da Record e algumas poucas contratações. Com destaque para os nomes de Fernando Pavão, Jussara Freire, Luiza Tomé, Bete Coelho, Zezé Motta, Roberta Gualda, Milena Toscano, Adriana Lessa, Jayme Periard e Antonio Petrin.
Parceria entre a Record e a produtora Casablanca, "Escrava Mãe" estreia inteiramente gravada e com cerca de 60 capítulos finalizados. Dependendo da repercussão, a novela pode ser reeditada e durar entre 115 e 130 capítulos.
Segundo o diretor Ivan Zettel, a terceirização da produção tirou a teledramaturgia da emissora do lugar-comum. Gravada entre os estúdios do Pólo Cinematográfico de Paulínia, interior de São Paulo, e fazendas da região, a trama é a primeira novela brasileira a ser captada integralmente em 4K, tecnologia com som e imagem quatro vezes melhor que o usual HD. "Foi uma grande troca de ideias e percepções. A imagem está linda e diferente de tudo o que a Record apresentou até aqui. Espero que o público embarque na história, pois é uma trama que merece ser vista", valoriza o diretor.

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