Fora da zona de conforto
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quarta-feira, 05 de dezembro de 2012
Márcio Maio<BR>TV Press 
Gloria Pires está longe de achar que já fez de tudo como atriz, ao longo de mais de quatro décadas de carreira. Mesmo assim, confessa que se surpreendeu com a possibilidade de, aos 49 anos e com uma trajetória televisiva de fazer inveja em muitos colegas, estrear nos folhetins de comédia em "Guerra dos Sexos".
"É claro que, como estou saindo da minha zona de conforto, bate um frio na barriga e uma preocupação maior antes de gravar determinadas cenas. Mas isso também aumenta o prazer, dá um gás diferente", empolga-se a intérprete da temperamental Roberta do remake de Silvio de Abreu.
Curiosamente, a convivência com o humor se iniciou ainda muito nova. Gloria é filha do finado humorista Antônio Carlos Pires, que atuou em diversos programas do gênero. Como, por exemplo, "Escolinha do Professor Raimundo", onde encarnava o matuto Joselino Barbacena. "Eu até poderia seguir esse caminho, mas as oportunidades apareceram e me jogaram para o drama. Não foi algo premeditado", lembra.
Esta é sua estreia em um papel cômico em novelas. Como recebeu a proposta?
Pois é, nunca fiz isso na tevê. Na verdade, até fiz. Mas em programas humorísticos há muitos anos e, mais recentemente, no seriado "As Brasileiras". Serviu como uma espécie de ensaio rápido, para experimentar essa coisa mais leve. Mas "Guerra dos Sexos" tem um tom muito diferente, que na minha visão é totalmente novo. E isso é o que está me empolgando tanto nesse trabalho. É uma personagem com um ritmo acelerado, ágil. Tem um sabor bem diferente do que normalmente eu faço na televisão. O interessante é que tem torta na cara, mas não sai completamente do drama. A história da Roberta começa com a morte do marido dela. Vai de um extremo ao outro. E mesmo nos momentos dramáticos, é uma outra região, distante da que já conheço.
Você acompanhou a primeira versão da novela?
Não. Eu trabalhava bastante e já tinha a Cleo (Pires, filha da atriz). Ela estava com um aninho nessa época. Claro que a cena da guerra de comida da Fernanda Montenegro e do Paulo Autran é um clássico. Essa referência eu tenho. Mas a novela em si eu não assisti. O que para mim é até bom, porque o Silvio defende que é uma outra história. Os personagens têm os mesmos nomes, mas os rumos podem ser diferentes. Não existe um compromisso de repetir o que foi exibido naquela época.
Por que você não investiu mais no humor na tevê?
As oportunidades vieram e eu fui para o drama. Não foi bem uma escolha. Mas sempre tive mesmo uma ligação muito forte com o drama. Era um sentimento que logo aflorava em mim. Já a comédia é algo que venho trabalhando. Estou descobrindo ainda. E, confesso, adorando. Até porque acho que, para você fazer comédia e essa é uma impressão pessoal, sinto que está acontecendo comigo , precisa ter a capacidade de rir de si mesmo. Não dá para se levar a sério. Só assim a comédia rola bem. Esse exercício tem sido regenerador para mim.
Era um desejo seu experimentar a comédia em uma novela?
Não parava para pensar nisso. Tenho trabalhado muito, venho emendando um trabalho em outro. E quase nada do que fiz foi planejado. Mas estou bastante motivada com essa personagem. Quando aceito fazer qualquer trabalho é porque percebo que está me faltando algo e que preciso fazer aquilo para suprir essa falta. Vejo que vai ser bom para mim, para a minha vida, para o meu currículo. Mas acho que, para uma estreia no humor, foi bacana encontrar essa chance, ao lado do Silvio e do Jorginho.
O que você busca atualmente na sua carreira?
Não sou o tipo de pessoa que fica buscando o que gostaria de fazer. Presto, sim, muita atenção em tudo que aparece para mim. Mas o que eu sempre procuro é ir para um outro lado, experimentar novas possibilidades mesmo depois de 45 anos de carreira. Não é uma coisa que se explique facilmente. O importante é a gente sempre tentar se reinventar. Cada ator tem a sua forma de tentar isso.
E qual é a sua?
A televisão tem um esquema muito mais definido que o das diversas produtoras de cinema. Então, sem dúvidas, o cinema tem sido para mim um excelente caminho de experimentação. Na tevê, trabalhamos quase sempre em um único formato. Se eu saísse da Globo e assinasse com a Record, certamente teria experiências novas, com as quais nunca lidei. Já os filmes têm produtores diferentes, com experiências e patrocínios distintos.


