Fora da rota
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sábado, 28 de setembro de 2013
Marcos Roman<br> Reportagem Local 
Houve um tempo em que Londrina era destino certo na turnê de grandes nomes da música. Nomes como Roberto Carlos, Milton Nascimento, Gal Costa, Paralamas do Sucesso e Rita Lee, entre outros costumavam fazer show praticamente todos os anos na cidade. Atualmente, são poucas as produções que chegam à cidade fora do métier sertanejo e dos festivais de teatro e de música.
"Londrina é uma das cidades mais caras e complicadas do País hoje em dia para se produzir shows de grande porte", afirma Paulo Fernandes de Oliveira, um dos produtores da Mantovani Promoções Artísticas, empresa com sede em Cascavel que promove shows no Brasil todo há mais de 20 anos.
Segundo ele, as dificuldades se devem principalmente à taxa de ISS cobrada pela prefeitura e ao alto preço de locação de espaços. "A prefeitura de Londrina cobra 5% de ISS antecipadamente sobre um valor estimado com a renda da bilheteria do show. Porém trabalhamos em um negócio de alto risco e não temos como prever a quantidade de público que vamos receber a cada evento. Além disso, Londrina tem poucos espaços destinados a shows e que cobram preços exorbitantes porque todo mundo pensa que a gente ganha rios de dinheiro com shows. Mas a realidade é bem diferente disso", reclama Oliveira.
Como exemplo ele cita o show do cantor Djavan realizado em maio deste ano no Moringão. "Era feriado na cidade e tivemos pouco público. O prejuízo foi enorme porque já havíamos pago R$ 16 mil de aluguel do espaço, a taxa de ISS da prefeitura e o cachê do artista, sem falar na parte da logística que inclui passagens aéreas, estadia e alimentação para o cantor e toda a sua equipe", detalha o produtor.
Oliveira ressalta que por conta dessas questões a empresa vem excluindo Londrina da rota de shows promovidos pela empresa. "Já trouxemos Zélia Duncan, Gal Costa, Marisa Monte e Lenine, entre muitos outros, mas infelizmente tivemos que reduzir de 10 a 12 grandes shows por ano para apenas um ou dois por semestre", compara.
Na avaliação do produtor, essa situação poderia ser revertida se houvesse mais apoio da prefeitura. "Em Londrina os ingressos costumam custar cerca de 50% a mais que em outras cidades", critica o produtor, acrescentando que costuma receber apoio das secretarias de cultura de outros municípios nos custos com hotéis e restaurantes e isenção da taxa de ISS. "Dessa forma corremos menos riscos e as pessoas têm acesso a ingressos com preços mais acessíveis", afirma.
Atualmente, Oliveira se prepara para levar o novo show de Oswaldo Montenegro a Ibiporã, Marialva e Telêmaco Borba. "Tivemos que tirar Londrina da lista pois teríamos que cobrar ingressos muito caros para cobrir os custos e o risco seria grande. Até o show de Almir Sater que todos os anos era apresentado na cidade foi cancelado por conta dessa falta de incentivo", revela Oliveira.
Promic
A secretária municipal de Cultura rebate as queixas de falta de incentivo à promoção de shows informando que todas as ações do setor são realizadas através do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), cujo orçamento para 2014 é de R$ 3,5 milhões. "Não estamos fechados para esse tipo de conversa, porém atualmente todas as ações culturais estão concentradas pelo Promic", enfatiza Solange Batigliana, acrescentando que outros tipos de incentivos podem ser discutidos entre os produtores e o Conselho Municipal de Cultura.


