Fora da curva
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terça-feira, 18 de março de 2014
Caroline Borges<br>TV Press 
Fugir da padronização imposta pela tevê é um dos objetivos da carreira de Aline Fanju. Acostumada a personagens mais leves, a atriz afirma que, apesar ir em busca de diferentes possibilidades em sua trajetória, conquistou uma série de papéis parecidos na tevê. Por isso, viu na inescrupulosa Luana, da série policial "Acerto de Contas", do Multishow, a chance de sair de sua "zona de conforto". "Tenho a oportunidade de fazer algo totalmente novo. Esses rótulos que a televisão impõe atrapalham bastante. Sou atriz e estudei muito para ganhar uma diversidade cênica", aponta.
A trama criada e protagonizada por Silvio Guindane, que vive Dante, conta a história de um ex-detento que, após 10 anos na prisão, tenta se readaptar à vida em família. Dentro do enredo, Luana é ex-mulher dele. Após a prisão do marido, ela se casa com o irmão de criação do protagonista, Quinho, interpretado por Ângelo Paes Leme. Alpinista social, a personagem é a cabeça por trás de todo o esquema de corrupção política que acontece no bairro de Campo Grande, localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. "Tudo gira em torno de ter cada vez mais poder. Ela tem valores deturpados e quer se dar bem a qualquer custo, sendo capaz até de matar", afirma.
Para compor sua primeira vilã, Aline assistiu a diversos filmes e séries, como "House Of Cards", que trata sobre o submundo dos interesses políticos. Além disso, tomou como principal referência para moldar a personalidade da personagem a clássica tragédia "Macbeth", escrita por William Shakespeare. "Foi essencial para compreender a Luana. Ela é uma influência ruim sobre o marido também. Uma mulher que instiga o Quinho a ter os mais variados atos desonestos", aponta.
Com os cabelos louros e pele branca, Aline, inicialmente, apresentava o biótipo oposto para viver a personagem. No entanto, após insistência de Silvio para que fizesse teste para o papel, a atriz acabou agradando ao diretor de cinema José Joffily. "O Silvio até tinha me sugerido. Mas eles pensavam em uma negra para a série. Achei que não tinha como. Fiz o teste sem compromisso e acabou acontecendo", explica.
De folga da tevê desde o fim de "Vidas em Jogo", da Record, a atriz comemora o crescimento do investimento em dramaturgia na televisão fechada após a Lei da TV Paga, que impõe cota de canais e conteúdo nacionais nos pacotes das operadoras. O aquecimento do mercado independente significa um aumento nas oportunidades de trabalho para diversos profissionais. "Cria maior concorrência que, por consequência, obriga uma melhor produção de conteúdo. Para o ator, essa abertura de mercado é ótima. A nossa vida financeira agradece", brinca, aos risos.
Fora a série policial, Aline também poderá ser vista na segunda temporada de "As Canalhas", do GNT, inspirada no livro "Canalha, Substantivo Feminino", de Martha Mendonça. Na produção, a atriz vive a enfermeira Gabriela que sofre com as atitudes desonestas da invejosa Margô, interpretada por Alessandra Maestrini. "Sou a grande vítima da canalha. Tudo que a Margô faz para acabar com a Gabriela sempre volta de forma negativa. Até que ela faz uma canalhice e a minha personagem se dá mal", adianta a atriz, que acaba de entrar para elenco de "Em Família" como Rafaela, a melhor amiga da vilã Shirley, vivida por Viviane Pasmanter. "Adoro fazer novela. É um ritmo muito intenso de trabalho. Entender essa mecânica é bem difícil", completa.


