São Paulo, 21 (AE) - O ator, diretor e produtor Guilherme Fontes pensa em processar o Ministério da Cultura caso se julgue prejudicado na captação de recursos e nos prazos para a conclusão de "Chatô - O Rei do Brasil". Quem diz é o advogado do ator, que também ameaçou entrar com uma ação judicial contra o diretor de teatro Gerald Thomas por calúnia e difamação.
Guilherme Fontes acredita que o ministério está aplicando contra ele uma regra de exceção para a produção de "Chatô. Os prazos e limites fixados pelo MinC estão baseados numa portaria de 1998, mas Fontes diz que seu filme começou a captação de recursos em 1995 - e a portaria não poderia ser aplicada retroativamente.
Já o diretor Gerald Thomas teria dito a um jornal paranaense que Fontes e a atriz e diretora Norma Benguel (de "O Guarani") são "uma dupla de gângsteres" e "ladrões". O ator disse ontem, durante o programa "Roda Viva", da TV Cultura, que não processaria Thomas porque ele era "too boring" (muito chato) e "não valia a pena", mas seu advogado pensa diferente.
Fontes também acusou o produtor Luiz Carlos Barreto de ter procurado, desde o princípio, "sabotar" o seu projeto de filmar o livro de Fernando Morais - ambos disputaram os direitos da obra, que acabou ficando com Fontes.
Fontes disse que existem "duas ou três dezenas" de filmes inconclusos na Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, mas o seu está sendo tratado com um rigor incomum por causa do "assédio da mídia". Esse assédio, segundo sugeriu o diretor, estaria sendo instrumentalizado pelo produtor Luiz Carlos Barreto, o Barretão.
O ator informou, durante o "Roda Viva", que precisa filmar mais 15 minutos e captar mais R$ 1,9 milhão para concluir "Chatô". Também afirmou que é o maior investidor privado da produção (teria investido R$ 3 milhões dos R$ 6,9 milhões do custo total). "Com mais 18, 19 semanas de filmagem eu entrego o filme pronto", disse. Ele pretende que a estréia seja em 21 de novembro, caso não haja uma intervenção do MinC ou da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) da Bolsa de Valores, que negociou certificados de audiovisual da produção.
Pela primeira vez, Fontes admitiu a possibilidade da intervenção na produção do filme. "Outra produtora não é um bicho de sete cabeças para mim, eu preciso dessa intervenção", afirmou. "Se isso significar recursos, idoneidade e competência
será muito bem-vinda", disse o diretor.
Interpelado por um espectador se não estaria se tornando um personagem próximo do próprio Assis Chateaubriand - que tinha fama de utilizar métodos pouco ortodoxos para conseguir seus intentos -, Fontes rechaçou a comparação. "Eu não sou esse personagem; a imprensa me botou nesse personagem", afirmou.
Ele concordou com a tese de outro espectador, que dizia que Chateaubriand foi uma espécie de Cidadão Kane à brasileira. "William Randolph Hearst teria ficado com ciúmes de tanta desenvoltura social", afirmou Fontes.
O ator também apresentou duas certidões da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nas quais dois funcionários da instituição atestam que ele tem condições de continuar a captação de recursos e que nada consta no cadastro de "indiciados e punidos" contra sua empresa, a Guilherme Fontes Filmes.
Fontes também se mostrou contrário à tese segundo a qual seu filme tem orçamento muito elevado para um estreante e transferiu a responsabilidade para o Ministério da Cultura. "O ministério tem poder para vetar um item do orçamento, se achar que está acima do razoável", ponderou.
Recentemente, o MinC retirou da empresa de Fontes a produção do filme "Bellini e a Esfinge", um dos seus projetos. O diretor admitiu que isso foi feito à sua revelia. "Não era uma coisa que eu queria, não", disse. A produção foi transferida a uma empresa do irmão do ator, Teodoro Fontes.

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