Tudo é motivo para Miguel Falabella criar. No entanto, nenhuma motivação é mais eficaz que as fraquezas humanas. ‘‘Gosto mesmo é dos seres de exceção. Os perdedores que sabem rir de sua própria derrota têm o meu respeito. Eles guardam um mundo cheio de potencial dentro de si’’, acredita. É a preferência por personalidades alternativas que faz Miguel construir personagens como Belezinha, de ‘‘Aquele Beijo’’, a menina que cresceu disputando concursos de beleza, ou Latoya e Whitney, as irmãs negras de ‘‘A Lua Me Disse’’, que negavam a origem de sua cor, interpretadas por Zezeh Barbosa e Mary Sheyla, respectivamente. ‘‘Às vezes, é chato não poder abordar certas questões de maneira mais realista. Tem gente que se ofende com tudo’’, acredita.
  No novo trabalho, uma das principais apostas de Miguel está em Ana Girafa, travesti interpretado por Luis Salém. ‘‘Não é mais um travesti em uma novela. É uma personagem que sonha, que quer adotar uma criança, que tem um salão ‘afro’, que mora em uma comunidade pobre e não desiste da felicidade’’, define.
Infância cultural
  Miguel Falabella credita seu gosto pela literatura ao incentivo de seus pais. ‘‘Se eu lesse um livro, ganhava um brinquedo. Eu e meus irmãos lemos compulsivamente a infância inteira’’, relembra. Para ele, ter acesso a clássicos como ‘‘O Vermelho e o Negro’’, do francês Stendhal, assim como livros de caráter infantil, instigou seu universo cultural e sua curiosidade pela diversidade. ‘‘Sou muito curioso e isso nasceu ali, com os livros que eu lia aos 11 anos de idade. Não entendia algumas coisas e ia atrás dessas informações’’, conta.

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