"Ela sempre me acompanha, nas horas boas e ruins." A afirmação é do jornalista Antonio Mariano Júnior, ao destacar que durante o período em que passou na UTI ouvia o mais recente disco de Maria Bethânia, "Meus Quintais", que serviu como fonte de inspiração para enfrentar os problemas de saúde que o deixaram entre a vida e morte. "Um amigo que ia me visitar colocava o CD para tocar e aquilo me comovia demais e também me dava força, principalmente a interpretação de Dindi", enfatiza ao citar o clássico composto por Tom Jobim e Vinicius de Moraes.
Comemorando a vitória sobre os problemas circulatórios que o fizeram perder parte de uma das pernas, ele gravou um disco que será dedicado à intérprete baiana. "É um EP com cinco canções e vai se chamar 'A Mão do Tempo'. Vou dedicar a ela pelos 50 anos de carreira e por ter me ajudado a dar a volta por cima", afirma.
Fã da cantora desde a adolescência, Mariano Júnior desfruta de um privilégio concedido a poucos admiradores: frequentar o concorrido camarim de Bethânia. "Pelo fato de tê-la entrevistado em diversas ocasiões ela me reconhece e me chama pelo nome, mas não temos nenhuma intimidade", ressalta, com modéstia, o jornalista que trabalhou como repórter desta FOLHA durante 18 anos.
Em um dos momentos ao lado da diva, o londrinense flagrou cenas que para ele são inesquecíveis. "Uma vez fui cumprimentá-la e ela ficou segurando minha mão enquanto recebia outras fãs. Pude ver pelo mesmo ângulo que ela as mais diversas declarações de amor entre a entrega de presentes e flores. No final, ela virou-se para mim e emocionada perguntou: 'Será que mereço tudo isso?' Uma verdadeira lição de humildade", relata.
Acompanhando os shows de Bethânia desde 1995, Mariano Júnior lamenta o fato dela nunca ter se apresentado em Londrina. "Ela só se apresenta em teatros e os da cidade são pequenos e o show dela é caro. Se viesse para cá teriam que cobrar uns quinhentos reais de ingresso", constata. Mas o jornalista ainda tem esperança de vê-la em algum palco local. "Quem sabe com a inauguração do Teatro Municipal ou então na abertura do Filo (Festival Internacional de Teatro)? Afinal o que ela faz não é teatro? Bem que poderiam trazê-la", sugere o fã. (M.R.)

mockup