Fonte de energia para os fandangueiros
O barreado é produzido no litoral paranaense há pelo menos 200 anos. Os filhos de índias com portugueses, os caboclos, sempre iam para as vilas levar os produtos da lavoura para seus patrões. Eles ficavam para almoçar e geralmente comiam o guisado comum feito em casa, especialidade portuguesa. Gostavam tanto desta comida que a introduziram nos sítios onde moravam, utilizando carne mais barata (a de peito de boi), que misturavam com o toucinho de porco e todos os temperos disponíveis, deixando cozinhar várias horas para que a carne ficasse bem mole.
Mas o cozido secava muito depressa, pois o vapor fugia pela tampa da panela. Por isso, resolveram usar massa feita de farinha de mandioca e água fervendo, barreando a tampa até vedar completamente.
Segundo a lenda, o barreado era preparado em grandes tachos de cobre para que pudesse alimentar várias famílias ao mesmo tempo. Esse método resultou em envenenamento de várias pessoas. Pois o cobre fica depositado nas paredes dos tachos, que acabaram então substituídos por panelas de barro.
Conta-se que na época do Entrudo, hoje Carnaval, no litoral paranaense, o caboclo, no decorrer de três dias, deixava de lado seus afazeres rotineiros e dedicava-se a dançar fandango (dança típica da região) e a comer o barreado. Os fandangueiros só voltavam à vida normal à meia-noite de terça-feira, com o início da Quaresma. O barreado era feito para o pessoal aguentar a maratona, e preferido pela facilidade de preparo das caboclas, pois ele não dava trabalho, e em vez de ficar na cozinha, elas aproveitavam o fandango.





