A gastronomia sempre teve seu lugar cativo na tevê, seja em programas próprios ou dentro de alguma produção de variedades. E junto com outras áreas de entretenimento, como a teledramaturgia e os musicais, também vem se adaptando e passando por uma série de atualizações na forma e no conteúdo de sua apresentação. "É necessário evoluir. Ainda apresento receitas de forma tradicional, conversando com o público. Mas quadros como o ‘Super Chef Celebridades’ são primordiais em algo que faz diferença na tevê atual: interatividade", opina Ana Maria Braga, apresentadora do "Mais Você", da Globo.
É evidente a influência dos reality shows nesta nova culinária televisiva. Quadros como "Super Chef Celebridades" e o "Jogo de Panelas", são os atuais carros-chefe da audiência do "Mais Você". Assim como, sob o comando do cozinheiro Edu Guedes, os quadros "Tem Chef na Pista" e "Edu Delivery" são alvos de investimentos do matinal "Hoje em Dia", da Record. "Gravo os quadros em externas, com participações especiais de famosos e do público que acompanha o programa e se inscreve no site. Tudo é valido quando o assunto é valorizar a alimentação e o contato com os telespectadores", acredita Edu Guedes.
Em comum, todos os quadros têm a presença de prêmios em dinheiro e de um "chef" que coordena e dá dicas sobre a produção gastronômica, herança de formatos americanos pioneiros na mistura entre a realidade e a arte de cozinhar, como "Top Chef" e "Kitchen Nightmares", exibidos no Brasil pelos canais pagos Sony e Fox Life, respectivamente. Na tevê por assinatura, inclusive, é onde está o maior número de formatos voltados para a gastronomia.
Se a tevê aberta limita-se a misturar cozinheiros e disputas por dinheiro, os canais pagos exibem programas nacionais e importados que envolvem culinária, aventuras e turismo, como "Diário do Olivier", do GNT, e o "Brasil no Prato", do Bem Simples. "Não falo apenas de comida. Através da culinária, abordo cultura, história, expressões artísticas e curiosidades de cada local que visito", justifica Olivier Anquier, que desde 1999 comanda o "Diário do Olivier".
Canais destinados ao público feminino como Fox Life, GNT e Bem Simples concentram boa parte das produções culinárias. "Na tevê paga existe mais liberdade para programas culinários de diferentes abordagens. No GNT, por exemplo, temos o ‘Nigella’ e sua sofisticação, e paralelamente, exibimos a série ‘Jamie Oliver’ e a rusticidade de sua cozinha", compara Daniela Mignani, diretora-geral do GNT, sobre duas das maiores audiências do canal.
O inglês Jamie faz parte de uma minoria de chefs de métodos pouco ortodoxos de higiene e formalidade na cozinha, que no Brasil tem seu auge na figura do excêntrico Paulo do "Larica Total", exibido no Canal Brasil. Em sua terceira temporada, o programa que mistura ficção e realidade já conquistou um público cativo, graças ao naturalismo e à crueza das situações que envolvem Paulo Oliveira, o solteirão vivido pelo ator e diretor Paulo Tiefenthaler, em receitas como "Arroz de Puta Pobre" e o autoral "O Inacreditável Churros de Aipim". "O programa exalta a culinária de guerrilha. Muita gente acha que o Paulo Tiefenthaler e o Oliveira são a mesma pessoa. Eles se confundem o tempo todo, mas não são", garante Tiefenthaler.
Entre tantas opções gastronômicas na tevê, ainda sobra espaço para as cozinhas mais tradicionais: com bancada, música, humor e dicas preciosas paras as donas de casa. Mesmo flertando com formatos mais modernos, Ana Maria Braga e Edu Guedes ainda apostam nesta receita, da qual Daniel Bork, do "Dia Dia", da Band, e Palmirinha Onofre, do "Programa da Palmirinha", exibido pelo Bem Simples, são fiéis. "Quero mais é me divertir. Adoro conversar com meu boneco Guinho, ensinar receitas e contar minha história de vida para as amiguinhas que me assistem", explica Palmirinha, mostrando-se satisfeita em estar na tevê paga depois de ter seu programa cancelado pela TV Gazeta em 2010.

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