Não há como fugir: fevereiro quase sempre é associado aos foliões, compostos não apenas por ''gente grande''. Os mirins também saem para se divertir munidos de confetes, serpentinas, espumas e muito criatividade na hora de escolher a fantasia. Enfim, o que essa turminha gosta fazer no carnaval?
Aos sete anos, Fernando Bilhão Miranda orgulha-se das múltiplas personalidades secretas das quais já usufruiu, entre elas Super Homem, Homem Aranha, cavaleiro e outras, nem tão heróicas assim, como a caveira e o mascarado do Pânico. ''Eu adoro o carnaval. É tão legal jogar spray de espuma nos outros e também os confetes. Sabia que eu tenho doze fantasias?'', questiona o pequeno.
Aproveitando o embalo de Fernando, sua irmã Carolina, de 5 anos, se diverte antes mesmo das festas, quando cria suas fantasias. ''Gosto muito de dançar. Eu tenho uma sapatilha de bailarina, de verdade. Mas esse ano minha fantasia será maravilhosa: saia rosa, maiô roxo e muitos brilhos também. Ah, estou procurando uma varinha, mas está difícil de encontrar.'', disse.
A advogada Cássia Bilhão, mãe dessa duplinha, comenta que sempre acompanha os filhos nas tradicionais matinês. ''Eles fazem bloquinhos carnavalescos e se divertem bastante. Eu e meu marido levamos as crianças à tarde, mas não pulamos à noite porque chegamos em casa cansados de acompanhá-los'', comentou. Outro fator relevante para a advogada é a retransmissão dos elementos culturais dessa festa tradicional. ''Bem, o carnaval de hoje é bem diferente da época em que eu pulava, com as marchinhas. Hoje o que você ouve nas matinês é Bonde do Tigrão, muito axé, ou seja, o mesmo repertório que seria utilizado para os adultos. Nas poucas atividades culturais paralelas que temos aqui em Londrina nesse período, meus filhos vão em todas e adoram. Tentamos na medida do possível resgatar esse contexto'', ponderou Cássia. No último final de semana, por exemplo, a ''Ciranda Música, Literatura e Brinquedos'', de Londrina, ministrou o curso ''Máscaras e Instrumentos de brincadeira de Carnaval'', do qual diversas crianças participaram.
Com a imaginação a mil, Felipe Rodrigues de Almeida, de 7 anos, comenta que ''vai dar um jeito de fazer a fantasia'' que será utilizada durante as horas de folia. ''Sabe o que eu gosto? De me fantasiar e brincar de lutinha. Tenho spray de espuma, serpentina, confete. Mas ainda não sei o que vou usar nesse carnaval'', revelou o garoto, que também leva sua irmã Carolina para as brincadeiras. Sem definir se irá ''pular carnaval'', aos três anos, Carolina se encanta mesmo é com as fantasias. ''Eu tenho fantasia da Pequena Sereira, da Minie e da Branca de Neve. Esse ano eu pedi para minha mãe a fantasia da Cinderela. Mas acho que não quero pular esse ano'', avisou.
''A impressão que eu tenho é que as crianças gostam de carnaval para extrapolar. É um período em que eles podem tudo, e perdem o medo de serem julgados. Um dias desses o Felipe foi escolher uma máscara e comprou a mais monstruosa que tinha'', disse a fonoaudióloga Valentina Simioni Rodrigues, mãe do Felipe e da Isabel.
Embora exista o receio dos pais no que diz respeito ao conteúdo exposto durante os quatro dias de brincadeira, nem sempre é possível ficar isento do que os meios de comunicação divulgam, até mesmo antes do carnaval propriamente dito. ''Quando viajamos nessa época do ano, eles ficam encantados com os trios elétricos, com aquele monte de gente nas ruas. A Isabel, por exemplo, com apenas três anos, vive cantando 'Poeira, poeira, levantou poeira''', lembrou Valentina.
Dentro de casa, no clube, nas ruas ou calçadas, o mais importante para a criançada é se divertir, cada uma a seu modo, deixando a preocupação por conta dos adultos.(Confira os horários de bailes, matinês e desfiles de rua nas páginas 2, 3 e 4)

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