FOLIA - Unidos do Jardim Paulista fala de justiça no Carnaval
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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A diretoria da escola de samba Unidos do Jardim Paulista está sonhando alto nesta temporada. A agremiação da zona norte, representada pelas cores vermelho e branco, é a caçula entre as que disputam o título do primeiro escalão do Carnaval de Londrina. O desfile será no próximo dia 26 no Autódromo Internacional Ayrton Senna.
Depois de vencer a série B em 2003, cair para o bloco secundário em 2004 e subir outra vez para o grupo de elite em 2005, seus componentes querem fazer bonito na avenida para não serem rebaixados novamente. ''Nosso objetivo é competir tête-à-tête com as favoritas. Estamos fortes na bateria, no samba-enredo, na comissão de frente, na harmonia, na fantasia, no mestre-sala e na porta-bandeira. Queremos ganhar. Se não cair, saíremos no lucro'' diz o presidente Laércio Batista Mateus.
Laércio atua há duas décadas no Carnaval de rua da cidade. Criou a Unidos do Jardim Paulista, em 1986, mas a escola só foi saltar do papel para a avenida em 2003. Durante anos, ele desfilou por outras agremiações, hoje suas concorrentes. Foi ritmista e diretor de patrimônio na Quilombos de Palmares e integrou a bateria da Gaviões Londrinenses. Passou ainda por escolas já extintas como Acadêmicos do Samba, Bafo de Jibóia e Bahia Abraça Londrina.
Para este ano, ele leva para a avenida o tema ''A Justiça do Homem Falha, a de Deus Tarda mas Não Faltará'', de sua autoria com enredo de Luis Carlos Silva (Cal), que será o intérprete no desfile. ''A letra do samba pede para as pessoas não perderem a fé diante das injustiças, da impunidade, da fome, da violência e da corrupção'' sublinha. A intenção de Laércio é entrar na pista do Autódromo com 300 a 350 componentes.
Segundo ele, o acesso ao Grupo A com vitória no ano passado empolgou a comunidade. ''As pessoas estão procurando a escola para desfilar. Desta vez, nem precisamos insistir'' conta. A bateria terá 50 ritmistas, que serão comandados pelo mestre Edson Luciano dos Santos Ribeiro com apoio do contra-mestre Paulo Ricardo Gonçalves Ferreira. O mestre-sala será Roberto Luiz Souza dos Santos. A porta-bandeira será a sua irmã, Aline Menezes de Souza dos Santos.
Apesar do entusiasmo, o presidente da escola não deixa de revelar seus descontentamentos. A exemplo de diretores das demais agremiações, ele reclama da escassez de recursos, oriundos exclusivamente da Prefeitura. ''A verba destinada às escolas é pequena. Temos que economizar muito para preparar o desfile. A Unidos do Jardim Paulista depende muito da criatividade de cada um. Eu mesmo desenho as fantasias e alegorias. Com os recursos disponíveis, não dá para contratar estilistas'' diz.
Ele queixa-se também da burocracia no atraso para a liberação do dinheiro: ''Acho que deveriam liberar a verba com uma antecedência de pelo menos 30 ou 40 dias e não com duas semanas antes do Carnaval. Assim fica difícil se organizar e fazer a cotação. Desde dezembro, já tirei 7 mil reais do meu bolso''. A mesma queixa é dirigida para o Autódromo, cujos boxes são utilizados pelas escolas nesta época do ano para a confecção dos carros alegóricos. ''Ele só foi liberado esta semana, sendo que já poderíamos estar trabalhando aqui há pelo menos 25 dias'' reclama.
Mesmo com tais adversidades, Laércio vê com bons olhos a evolução da folia do Momo londrinense elogiando especialmente as iniciativas de Edward Rodrigues, o presidente da escola concorrente Gaviões Londrinenses: ''Ele ajudou a modernizar o nosso Carnaval, fazendo intercâmbio com as escolas tradicionais do Rio de Janeiro. Isso foi positivo para todo mundo, porque as outras escolas começaram a fazer parcerias também. Ninguém quer ficar para trás''. A platéia, nas arquibancadas, agradece.


