FOLIA - Quilombo aposta as fichas neste Carnaval
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006
Reportagem Local 
O desfile do ano passado foi comemorativo, relaxado, feito para festejar as duas décadas de fundação da escola. Agora, a Quilombo dos Palmares quer fugir da maldição do ''terceiro lugar'', que atormenta seus integrantes há quatro anos consecutivos no Carnaval de rua de Londrina. O objetivo desta vez é conquistar mais um título para sua galeria de glórias.
Para isso, ''importaram'' toda a concepção do desfile. O tema foi elaborado por Emerson Rodrigues. O samba-enredo, intitulado ''Brasil, Terra Papagalis'', foi criado coletivamente por uma comissão de músicos formada por Ronny, Xina, Beto Góis, Toninho 21, Dom Marcos, Fabinho da Nenê e Paulinho Redação. Todos integram a escola de samba Unidos de São Lucas, do Grupo de Acesso do carnaval de rua de São Paulo.
Eles adaptaram o tema do samba-enredo utilizado pela agremiação paulista em 2005. ''A Quilombo sempre se preocupou em fazer um desfile genuinamente londrinense, mas este ano decidimos acompanhar as outras escolas da cidade, que estão buscando parcerias e fazendo intercâmbio com escolas do Rio e de São Paulo. Resolvemos puxar o filão e entrar nessa fila para não ficarmos obsoletos'' explica Vanderson Q.P, diretor da escola e intérprete do samba-enredo.
A relação com a Unidos de São Lucas envolveu pagamento de direitos autorais e todos os procedimentos burocráticos exigidos para viabilizar um ''pacote completo'' de aquisições incluindo alegorias. O enredo poderá surpreender os antigos seguidores da agremiação da zona norte. O tema aborda a fauna que deslumbou os colonizadores portugueses na época do descobrimento do Brasil. Foi inspirado, segundo Vanderson, na primeira carta enviada por Pero Vaz de Caminha à Corte Portuguesa.
Ele explica: ''Em anos anteriores, falamos da África e prestamos homenagens a pessoas e entidades. Desta vez, destacamos as riquezas de nossa natureza enfatizando o papagaio, que será lembrado no desfile através de figuras conhecidas como o periquito, símbolo do Palmeiras, e o Loro José (personagem do programa da apresentadora de Ana Maria Braga). É um samba-enredo embalante, com dois refrões fáceis que vão agradar a todo mundo''.
A escola entrará na avenida com 13 alas e um limite máximo de 280 a 320 componentes. O mestre-sala será Ivo Batista de Oliveira enquanto que a porta-bandeira será Cristina. A bateria contará com 48 ritmistas sob o comando do mestre Riquinho (Henrique Galdino). ''Nos últimos quatro anos, os jurados deram nota dez para a nossa bateria. A proposta é manter esse estandarte'' salienta. A novidade da secção percussiva será a participação de adolescentes integrados à Organização Não-Governamental (ONG) Soame, de Rolândia.
A exemplo do ano passado, as tradicionais cores verde e rosa (como a Mangueira) estarão mescladas a uma cartela variada de cores. Tudo parece estar em transformação na Quilombo, o que tem provocado algum desconforto no diretor, para quem a modernização das escolas com a adoção de modelos de fora está matando o carnaval antigo. ''Tenho um ponto de vista paradoxal sobre isso'' revela.
''Ao mesmo tempo que acho interessante mudar e trazer inovações de carnaval que só conhecemos pela televisão (através dos desfiles do Rio e de São Paulo), fico triste com a perda das características locais. A Quilombos sempre promoveu as costureiras, os artistas plásticos, os carnavalescos, enfim, toda a mão-de-obra da cidade. Os próprios carros alegóricos eram feitos artesanalmente. Agora, até o samba-enredo vem de fora. Acho isso empobrecedor. Por outro lado, não podemos ficar para trás. O que estamos trazendo é para renovar e enriquecer nosso desfile''.
Presidida por José Alves Ferreira (Tico), a Quilombos dos Palmares ostenta oito títulos de campeã, sendo que a última vez que levantou a taça foi em 2001. Já está na hora, acreditam seus integrantes, de sentir outra vez o sabor da vitória.


