Em 1994 a Folha de Londrina iniciava o projeto Folha Cidadania como forma de levar o jornal até a sala de aula e incentivar a leitura de um jeito criativo e diferenciado, principalmente para os alunos da quarta série (ou quinto ano).
Da experiência inicial, em que o jornal era apenas entregue nas escolas sem modificação editorial, o projeto foi se aprimorando, ganhando links explicativos de um quarto de página em cada editoria, uma vez por semana, e uma página espelho, colorida, a partir de 2001.
Envolvendo cada vez mais alunos e professores, o Cidadania foi se ampliando para outras cidades, que hoje totalizam oito - Londrina, Cambé, Rolândia, Ibiporã, Jataizinho, Fênix, Alvorada do Sul e Arapongas -, atendendo direta e indiretamente 14.200 alunos.
Atividades de cunho pedagógico, como oficinas de jornal, acompanhamento e orientação do uso do jornal na sala de aula como ferramenta pedagógica, fazem parte das ações do projeto, além da promoção anual do concurso Pequeno Jornalista e do Debatedores Mirins, que visam envolver ainda mais a participação dos alunos. Eventos recreativos e culturais - como O Conto da Hora e visitas ao Projeto Jabuti e à Embrapa - integram o projeto.
A professora Olinda Rosa Ribas, que atuou com assessora pedagógica da área de língua portuguesa na Secretaria de Educação de Londrina de 1994 a 2010, ressalta o envolvimento dos professores com o projeto. ''O Cidadania definitivamente estimula a leitura. Oferece condições do professor fazer um trabalho diferenciado com um suporte de texto que traz informações diárias e atualizadas que não é o livro didático nem literatura. Isso chama a atenção do aluno'', afirma.
Ela lembra que muitas crianças ficavam ansiosas para o contato com o jornal e que esse trabalho acabava envolvendo a família, sendo que chegou a haver relatos de pais de família que conseguiram arranjar emprego através da leitura da Folha de Londrina, que era encaminhada para a casa das crianças após o trabalho pedagógico. ''Nesses anos todos de parceria entre a Secretaria e a Folha Cidadania só ficamos uma vez sem participar do projeto e lembro que os professores solicitavam muito o retorno da iniciativa'', afirma.
A coordenadora pedagógica Marcia Regina Antonio Bocatti, de Cambé, conta que durante muitos anos orientou os trabalhos com o jornal da Escola Municipal Pedro Tkotz, que procurava abordar de uma forma interdisciplinar.
''Procurávamos envolver todos os professores e os alunos participantes ficavam bem empolgados. Eles gostavam principalmente das aulas com as charges e chegaram a elaborar um jornal na sala de aula'', recorda. ''De modo geral, acho que esse trabalho com a Folha melhora o conhecimento de mundo dos alunos, uma bagagem importante para que possam estar mais bem preparados para o ensino fundamental 2'', acrescenta.
A química Flavia Correia Zanutto, 23 anos, ainda se recorda das aulas com o jornal quando cursou a quarta série na Escola Municipal Miguel Bespalhok, em Londrina. Além do contato com o jornal na escola, sua família também era assinante da Folha de Londrina. ''A minha escola valorizava muito essa questão da leitura e acredito que isso ajudou muito na minha formação profissional. Leio bastante, não tenho dificuldades para escrever e hoje em dia acesso muito a edição on-line da Folha de Londrina'', comenta Flavia, que é aluna do mestrado em bioenergia pela Universidade Estadual de Londrina. (A.P.N.)

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