Mariana Ximenes suspira profundamente quando lembra que ''A Padroeira'' vai ser esticada até fevereiro do ano que vem. Não que a intérprete da cobiçada Izabel esteja insatisfeita com a novela das seis da Globo. Ao contrário: com as mudanças promovidas pelo diretor Roberto Talma, sua personagem ganhou, além de generosos decotes, um espaço destacado na trama de Walcyr Carrasco. E é justamente o excesso de trabalho agora prolongado que a faz suspirar. ''Só com muito amor a gente chega inteiro até o fim'', desabafa.
Fora os três meses a mais de gravações, Mariana não tem do que reclamar. As mudanças de elenco e a linha pastelão adotada por Talma renderam a Izabel um destaque equivalente ao da protagonista Cecília, vivida por Deborah Secco. A personagem, que antes vertia baldes de lágrimas, passou a ter bons motivos para sorrir. Acabaram-se os castigos impostos pela mãe. O figurino foi maliciosamente reformado, deixando à mostra outros dotes da atriz. A mudança agradou em cheio aos pretendentes de Izabel. Faustino e Diogo personagens de Rodrigo Faro e Murilo Rosa se revezam nas cenas mais picantes e fazem de tudo para conquistar a moça.
Mariana que, durante o laboratório para a novela, estudou os costumes do Século XVII e viu como as mulheres da época eram recatadas e submissas jura que não se assustou com a metamorfose de Izabel. Mas buscou uma motivação interna para a mudança de comportamento da personagem. ''Ela era extremamente romântica. Com o tempo, aprendeu a ser astuta também'', defende a atriz. Embora lamente a oportunidade perdida de trabalhar com o diretor Walter Avancini, falecido em setembro passado, Mariana acredita que a história ganhou agilidade no tom de comédia e revela se divertir com as cenas de humor que grava. ''Novela é obra aberta. A gente tem de estar preparado para o que der e vier'', ensina a atriz.
A maturidade com que encara os imprevistos da novela é fruto de uma carreira planejada desde a infância. Aos seis anos durante uma montagem de ''Cinderela'', na escola Mariana descobriu que queria ser atriz. Mas sua estréia na tevê só veio em 97, com Emília, a prostituta rebelde de ''Fascinação'', de Walcyr Carrasco, no SBT. Depois de uma participação no ''Especial Sandy & Junior'', da Globo, o diretor Dênis Carvalho a convidou para integrar o elenco da novela ''Andando nas Nuvens'', de Euclides Marinho. Na pele da noviça Celi, Mariana viveu o conflito entre vestir o hábito ou viver sua paixão por Thiago, personagem de Caio Blat. ''Era uma personagem doce e introspectiva. Difícil de fazer'', valoriza.
Mas difícil mesmo era levar a espevitada Bionda para o altar. A personagem exuberante que Mariana viveu na novela ''Uga Uga'', de Carlos Lombardi, encantou a parcela masculina da audiência e projetou a atriz de 20 anos ao posto de símbolo sexual. Título que Mariana prefere desprezar. ''Os rótulos acontecem, mas tento fugir deles porque limitam o trabalho'', conclui.
Trabalho, entretanto, não falta para a atriz. Além da longa jornada de gravações no Projac centro de produção da Globo, no Rio de Janeiro , Mariana dubla a protagonista do desenho animado ''Brace Face'', da Fox Kids. ''É muito divertido, mas também um grande exercício para o ator'', conta. Além disso, a atriz investe na carreira cinematográfica. Só no último ano, participou de dois longa-metragens, ambos com estréia prevista para 2002. Em ''O Invasor'', de Roberto Brant, ela interpreta uma drogada, e em ''O Homem do Ano'', de José Henrique Fonseca, faz uma ninfomaníaca. ''São dois personagens fortes, que não têm nada a ver com o que já fiz na televisão'', adianta a atriz, que teve de trancar o curso de Cinema na FAAP para fazer ''Andando nas Nuvens''.

mockup