A apresentadora Cléo Brandão ainda nem saiu da faculdade de Comunicação, mas já está completando dez anos de carreira como jornalista esportiva. Cléo, na verdade, é figurinha fácil na Band. Ela apresenta o ‘‘Esporte Total’’ aos sábados das 12 às 13 horas e, aos domingos, o ‘‘Band Esporte’’, das 11 às 15 horas. ‘‘Mas, os meus planos não param por a풒, anuncia. A jornalista está cotada para apresentar um jornalístico na Band e ainda está em negociação com outras emissoras. ‘‘A proposta mais interessante vai me levar’’, oferece-se Cléo, cujo contrato com a Band está vencido.
Mas agora o que Cléo quer mesmo é terminar a faculdade. ‘‘Lá, às vezes deixo de ser aluna para tornar-me professora. É uma troca saudável’’, diverte-se a estudante do último período de Jornalismo da Fiam, em São Paulo. Cléo assume que a troca de experiência com os professores, ao longo dos quatro anos de curso, contribuiu para que ela aperfeiçoasse a prática no dia-a-dia televisivo. ‘‘Eles me respeitam e acompanharam meu desenvolvimento na área esportiva’’, admite a loura, que passa os finais de semana falando de esporte na Band.
Apesar de estar sem contrato, o prestígio da loura de 33 anos não é pequeno, assim como seu currículo. Ela começou como modelo fazendo ponta no programa ‘‘Os Trapalhões’’, na Globo. Logo depois, surgiram convites para revistas, inclusive a capa da revista de bordo da companhia aérea Vasp. Em seguida, quando voltava de um evento em Porto Alegre, o locutor Luciano do Valle sentou ao seu lado no avião. Ao ver a capa da revista, estampada pela loura, Luciano a convidou para um teste no ‘‘Esporte Total’’, na Band. ‘‘O vôo foi em uma sexta. Na segunda eu fiz o teste e um mês depois comecei a apresentar o programa. Foi uma feliz coincidência’’, orgulha-se Cléo.
A súbita trajetória inicial deu lugar a quase uma década de aprendizado diante das câmaras. Cléo começou a carreira de apresentadora no meio esportivo, que é dominado pelos homens. O preconceito inicial não fez com que a goiana, da pequena cidade de Cristalina, se desse por vencida. ‘‘O tabu inicial era que só homem sabia de esporte. Eles diziam que eu tinha de ficar em casa cuidando do meu filho’’, ironiza. Hoje Cléo acredita que os homens já perceberam que as mulheres têm lugar no jornalismo esportivo. ‘‘Eu sempre dizia para eles que o tempo iria confirmar o talento das mulheres na apresentação de esportes. Não deu outra’’, debocha.
Quando a loura, de grandes olhos verdes, realmente acreditou que iria enfrentar preconceitos com os homens que trabalham com ela, acabou se surpreendendo. ‘‘Quando fiz a capa da ‘Playboy’ no ano passado, só recebi elogios dos jornalistas e atletas, como Fernando Vanucci e a Hortência’’, lembra. Cléo fez as fotos para a revista ‘‘Playboy’’ mediante autorização escrita da Band. ‘‘Na época, o João Saad, o dono da emissora, estava vivo e me apoiou’’, vangloria-se.
Outro motivo de orgulho para a apresentadora é conciliar a tumultuada agenda. Ela está divida em compromissos com os dois programas esportivos, filmes publicitários, faculdade e um recente convite para a apresentação de um programa esportivo em uma rádio FM paulistana para o público jovem. ‘‘Como ainda não fechei o contrato, só posso dizer que vou entrar diariamente das 12 às 14 horas’’, adianta. A loura também está no ar com três filmes publicitários rodados em 35 mm para a Telesena. ‘‘Porém, mal consigo ter tempo de ficar com o meu filho de 12 anos e levar uma vida normal, como ir ao teatro e ao cinema’’, resmunga.
Mesmo com os percalços, Cléo quer se dedicar ainda mais à carreira. ‘‘O meu projeto é ter um programa com a minha cara. Pode ser sobre esporte ou não. Além disso, quero simultaneamente trabalhar em revista e jornal’’, dispara, com fôlego de atleta.

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