FOGUEIRAS DA FÉ - Santos são os donos da festa
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terça-feira, 15 de junho de 2004
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Religiosos e populares, os santos juninos dividem espaço e conquistam devotos das mais diferentes culturas. Santo Antônio, o casamenteiro, é celebrado no dia 13 de junho. São João é lembrado no dia 24. Já São Pedro, o detentor das chaves do céu, é festejado no dia 29 junto com São Paulo. Cada qual viveu sua história de devoção à Deus e se tornou exemplo para o Cristianismo.
Monsenhor Bernard Gafá, pároco na Catedral de Londrina, define que todos esses santos tiveram uma atuação profunda na história. Ele salienta que Santo Antônio, morto em 1232, tem sua língua intacta até hoje. ''Ele tinha o dom da palavra'', declara. O sacerdote comenta que Santo Antônio nasceu em Lisboa e decidiu ser missionário na África (Marrocos), de onde precisou retornar à Europa por problemas de saúde. Em seu continente, seguiu pregando a palavra de Deus até o dia de sua morte. Gafá diz que ele é conhecido como ''santo milagreiro'' e que na Casa da Providência que fundou, nunca faltou alimento. Por isso, nas celebrações do dia 13 de junho, o padre faz a bênção dos pães que são distribuídos ao fiéis. A tradição garante que quem guarda um pedaço desse pão em casa tem a certeza de que não vai faltar comida. Há quem acredite que comer dele é a garantia de arrumar um bom partido e ''desencalhar''.
No Brasil, Santo Antônio é mais conhecido como santo casamenteiro, apesar da Igreja não reconhecer esse título. ''Enquanto não deturpar o essencial, não tem problema. O santo não é mágico nem Deus, ele é humano com nós mas soube seguir Jesus de forma heróica'', define o monsenhor. Ele recorda uma passagem interessante na vida desse santo. Santo Antônio estava pregando para o povo, que não quis ouvi-lo. Então, ele se dirigiu até o rio e começou a pregar para os peixes. ''Ele dizia: 'Já que os homens não querem ouvir, vou pregar para os peixes e para as aves'''.
São João Batista, segundo o padre Gafá, é o único santo que é lembrado no dia de seu nascimento e não de sua morte, como os outros. Esse santo nasceu exatamente seis meses antes de Jesus e pregava que ele batizava com água, mas viria alguém maior que ele que batizaria no Espírito Santo. No Evangelho de São Lucas há um passagem relatando que um anjo apareceu a Zacarias, pai de João Batista, dizendo que no dia de seu nascimento haveria alegria no mundo inteiro. Por isso, até hoje, o dia 24 é comemorado com muita festa, fogueira, fogos e música. É o Dia de São João.
Monsenhor Gafá explica que no dia 29 celebra-se o dia de São Pedro e São Paulo. ''Eles são celebrados juntos porque são colunas fortes do cristianismo'', detalha. Os dois foram martirizados. São Paulo foi decaptado e São Pedro, crucificado. Gafá descreve que São Pedro afirmou não ser digno de morrer como o seu Senhor e por isso foi crucificado de cabeça para baixo. O padre brinca que na cultura popular esse santo é sempre associado ao portão que dá acesso ao céu. Quando ele lava o céu choveria na terra e quando arrasta os móveis ouvimos os trovões. Crendices a parte, estamos em junho e neste mês todos concordam que é tempo de comemorar com muita pipoca e quentão.


