Fogo Mordido faixa a faixa
O nome do segundo CD da banda Fato vem de uma poesia de Ricardo Pedrosa Alves, que acabou virando música em parceria com Ulisses Galetto. A canção chama-se Agora Fogo Mordido. Pense na imagem que fogo mordido passa e verá que não é algo fácil de fazer, nem mesmo de imaginar. É algo doído, difícil, coisa de masoquista. Reflete mais ou menos a vida de músico em Curitiba, mas não reflete o som do grupo Fato.
O disco Fogo Mordido não é difícil. Não é o pop descartável e dançável, nem o pagode sacana que tanto agrada as FMs nacionais. É algo bem melhor que isso, mas também é pop no sentido que pode atingir uma certa popularidade e também tocar no rádio - FMs do Paraná, vocês podem e devem tocar o Fato.
Se você está interessado em comprar o disco e tem dificuldade de encontrá-lo, pode procurá-lo pela Internet, no seguinte endereço: http://www-ocean.tamu.edu/~luiz/fato.html. Ou ainda mandar um e-mail para a banda, pelo seguinte endereço: [email protected].
Para ficar com água na boca, lá vai um resuminho faixa a faixa do CD Fogo Mordido:
q Ouro (Antônio Saraiva) - A primeira música, do carioca Antônio Saraiva, que produziu o primeiro CD do Fato, traz duas das marcas registradas da banda: o casamento perfeito entre bateria (Zé Loureiro Neto) e percussão (Sandrão Fernandes) e o interesse pela poesia. O grupo quase sempre escolhe letras poéticas que enriquecem o cenário pop brasileiro.
q Eles (Ulisses Galetto) - Depois da percussão forte da primeira música, esta começa com a guitarra suave de Miguel Porfírio e vai num crescendo para as belas vozes de Silvia Contursi e Fabiano Medeiros. A letra é uma referência explícita ou nem tanto a muitos poetas. Estão citados, entre outros, Fernando Pessoa, Mallarmé, Ezra Pound, Rainer Maria Rilke, Helena Kolody e Paulo Leminski.
q Algo Noir (Antônio Saraiva) - Em certos momentos lembra a experimentação dodecafônica de Arrigo Barnabé, sobre bela letra cheia de imagens poéticas, muito bem interpretada por Fabiano Medeiros e Miguel Porfírio.
q Transparência (Ulisses Galetto/Luiz Antônio Fidalgo/Grace Torres) - Canção que destaca o teclado de Grace Torres e mostra como Silvia Contursi melhorou seu canto do primeiro CD para este - aliás observação que também vale para Fabiano Medeiros.
q Insalubre (Luiz Carlos Heleno/Grace Torres) - Música mais pesada com guitarra distorcida e efeitos vocais e de percussão. Mas não é o melhor do Fato.
q Cinco Sentidos (Ulisses Galetto/Luiz Antônio Fidalgo) - Um dos pontos altos do disco numa bela interpretação de Fabiano Medeiros na voz, acompanhado apenas pelos violões de Ulisses Galetto, Miguel Porfírio e Gilson Fukushima.
q Extrato de Tomate (Cabral/Luiz Antônio Fidalgo) - Outra incursão do guitarrista Miguel Porfírio como cantor, mas o destaque é o baixo criativo, vigoroso e cheio de balanço de Ulisses Galetto, acompanhado pela percussão de Sandrão Fernandes.
q Pensa Sabe Sente (Marcelo Sandmann/Ricardo Carvalho) - Letra com jogo de palavras sem criatividade e efeitos vocais mal resolvidos. Um ponto baixo do CD.
q Faz de Conta (Marcelo Sandmann/Benito Rodrigues) - Belíssima interpretação de Silvia Contursi nesta difícil canção toda costurada pelo teclado de Grace Torres.
q Subtrações (Roberto Prado/Trindade) - Outro ponto alto do CD, com belíssima letra de Roberto Prado. O teclado de Grace Torres novamente se destaca em um duelo com a guitarra de Miguel Porfírio. Grace também canta e bem.
q Agora Fogo Mordido (Ricardo Pedrosa Alves/Ulisses Galetto) - Grace continua brilhando com seu teclado. Zé Loreiro Neto faz a marcação visceral de um surdão e Ulisses Galetto acerta a mão no violão. Outra bela canção.
q Tamanco (Ulisses Galetto) - Ulisses Galetto realmente é um ótimo compositor. A música começa com um realejo mistura um monte de ritmos e acaba numa bela homenagem ao fandango paranaense, unido-se à música que encerra o CD: q A Noite (Sandrão Fernandes/ Ulisses Galeto/Grace Torres), que, feita só com percussão, voz e violão, chega a lembrar Mutantes. Um belo encerramento.
(L.C.O.)





