Deixar a própria marca, mas também valorizar e dar continuidade ao que foi feito antes. É com esse ideal que o produtor cultural Aldo Moraes, 41 anos, assumiu esta semana a Secretaria Municipal de Cultura de Londrina. Ele substitui o diretor e coreógrafo da companhia de dança Ballet de Londrina, Leonardo Ramos, exonerado do cargo na última sexta-feira por decisão do prefeito Homero Barbosa Neto.
Aldo é músico e compositor. Presidente do Instituto Cultural Arte Brasil, ele coordena o projeto ''Batuque na Caixa'', desenvolvido desde 1999 com o objetivo de iniciar crianças e adolescentes de bairros periféricos ao universo artístico através de cursos gratuitos de música, teatro e literatura.
O projeto já atendeu 5.400 alunos em parceria com outras instituições sociais, culturais e educativas da cidade. Ao longo dos anos, realizou mais de 300 shows em todo o Brasil. Seus participantes já tiveram a oportunidade de tocar com artistas de renome como Hermeto Pascoal, Naná Vasconcelos, Alcione, Olodum e Palavra Cantada.
Seus alunos também gravaram o CD ''Arte Brasilis. Em 2011, o projeto recebeu o Selo de qualidade do Prêmio Itaú Unicef, além de ter sido contemplado pelo projeto ''Por um Mundo Melhor'' do Rock in Rio, com a doação de instrumentos musicais. Agora à frente da Secretaria Municipal de Cultura, Aldo Moraes planeja promover diálogos com a comunidade cultural e tocar projetos em andamento na pasta, como o processo de construção do Teatro Municipal. A seguir, leia trechos da entrevista com o novo secretário de Cultura.

Quais são seus planos para a pasta?
Nesta primeira semana vou tomar contato com o funcionamento da máquina pública. O tempo é curto, por isso tenho que pensar nas prioridades. A princípio pretendo dar continuidade aos projetos que estavam sendo tocados pelo antecessor. Quero acompanhar os projetos do Promic, o início das obras do Teatro Municipal e o processo de reconstrução do Teatro Ouro Verde.
Como está o processo de construção do Teatro Municipal?
Conversei com o secretário de Gestão Pública, Fábio Reali, e ele me disse que tudo já está resolvido na parte burocrática -inclusive em Brasília - e que já podemos dar início ao processo de abertura do edital de licitação.
O que a Secretaria Municipal de Cultura pode fazer para contribuir no processo de reconstrução do Teatro Ouro Verde?
Podemos apoiar, somar forças junto com a Universidade, o Governo do Estado e a comunidade cultural.
Há uma insatisfação de artistas e produtores culturais em relação à gestão da cultura no município. Um grupo criou, inclusive o Fórum Independente de Cultura para discutir os problemas e propostas na área. Você planeja se aproximar da comunidade cultural?
Cada pessoa tem uma cara, um perfil, um jeito de administrar. Eu gosto de ouvir as demandas, os anseios, as ideias e opiniões das pessoas. Estou com muita boa vontade para o diálogo. Acho importante deixar uma marca, mas sem deixar de valorizar o que foi feito antes.
Há algo que não foi feito e que você pretende implementar à frente da Secretaria?
Acho que podemos aperfeiçoar o Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) com algumas ideias simples. Podemos tentar facilitar o acesso da comunidade à produção cultural através de downloads gratuitos de CDs e livros viabilizados com verbas públicas. Podemos também buscar parcerias com a iniciativa privada e com entidades como a Sociedade Rural do Paraná para mostrar essa produção cultural levando, por exemplo, um pouco de arte e cultura para a Exposição para que a feira não fique reduzida ao entretenimento.

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