Foco nas certezas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Geraldo Bessa<br>TV Press 
O tempo fez muito bem a "Balacobaco", da Record. Feita a "toque de caixa" depois do fracasso de "Máscaras", a novela sofreu ao longo de boa parte de sua exibição com cenários exagerados, atores fora do tom, história sem grandes momentos e diálogos confusos. No ar há quase sete meses e após inúmeros ajustes, a trama de Gisele Joras apresenta-se mais equilibrada e simpática em sua reta final.
Concentrada nos núcleos mais importantes, o folhetim deixou de atirar para todos os lados. E agora foca de forma eficiente nas vilanias de Norberto, de Bruno Ferrari, principal destaque masculino do elenco.
Em novelas, o vilão é, geralmente, um personagem de forte apelo popular. Só que, no caso de "Balacobaco", além das maldades e da boa atuação de Bruno, Norberto fica cada vez mais interessante por não ter outro personagem masculino com o mesmo resultado positivo. O que evidencia o erro de escalação da emissora ao confiar o papel de mocinho ao inexpressivo Victor Pecoraro.
Protagonista da trama, Juliana Silveira continua desenvolvendo uma atuação segura na pele de Isabel. Enquanto as apostas iniciais de "Balacobaco", Diva e Dóris, as irmãs-bandidas interpretadas por Bárbara Borges e Roberta Gualda, ainda parecem estagnadas no humor fraco e na atuação apagada das duas boas atrizes. Por conta disso, quando o assunto é comédia, "Balacobaco" encontra um lugar seguro em Violeta e Osório, de Simone Spoladore e André Mattos. Entre disfarces e nuances, pai e filha protagonizam sequências divertidas e bem construídas, onde a dupla mostra-se versátil e à vontade. Na corda bamba do bom senso, Simone ainda se arrisca na interpretação de Vitor, homem inventado pela tresloucada personagem.
Com audiência já estabelecida em torno de oito pontos, "Balacobaco" elevou e manteve o Ibope do principal horário de dramaturgia da Record. Por isso, não foi encurtada e ganhou tempo para desenvolver suas principais tramas de forma mais coerente mas respeitando os exageros originais da história.
Nos quesitos técnicos, até a edição, antes totalmente deslocada e rápida demais, ganhou um ar mais contemplativo e de resultado agradável. Entre outros detalhes de produção, cenários, iluminação e fotografia também tiveram melhora significativa. Sem grandes possibilidades de tornar-se mais um êxito da dupla Gisele Joras e Edson Spinello autora e diretor de "Amor e Intrigas" e "Bela, A Feia" , "Balacobaco", ao menos, consegue trabalhar sua despedida com dignidade.


