As tradições, hábitos e costumes do povo da Bahia foram imortalizadas em dezenas de canções de Dorival Caymmi (1914-2008). O centenário do compositor e seu legado foram tema de conferência realizada semana passada durante a programação do 34º Festival de Música de Londrina, que será encerrado no dia 19 de julho.
A conferência "Mar, Terra e Dorival Caymmi" aconteceu na última sexta-feira, no Centro Cultural Sesi/AML (Praça Primeiro de Maio, 130), conduzida pela professora curitibana Ana Paula Peters, com entrada gratuita. Ela abordou a trajetória e o cancioneiro do homenageado. "Caymmi foi um grande narrador das paisagens e mulheres da Bahia, além de ter dado grande contribuição para a música popular brasileira, inclusive para a Bossa Nova", afirma a docente e pesquisadora da Escola de Música e Belas Artes do Paraná.
Segundo ela, o talento do autor de "Samba da Minha Terra" não se restringiu à confecção de letras memoráveis, expandindo-se para a "construção de harmonias e melodias". É famosa a declaração de Caetano Veloso ao comparar-se ao mestre: "Escrevi 400 canções e Dorival Caymmi 70. Mas ele tem 70 canções perfeitas e eu não", afirmou o discípulo tropicalista.
Ana Paula é graduada em História pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Música pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP). É especialista em História da Arte/Música (EMBAP), mestre em Sociologia (UFPR) com a dissertação "De Ouvido no Rádio: Os Programas de Auditório e o Choro em Curitiba" e doutora em História (UFPR).
É autora do livro "Suplemento Pedagógico para A Poesia dos Instrumentos da Música Popular Brasileira" e da coleção "Além das Notas", publicado pela editora Opet e composta por cinco livros para o ensino de música nas escolas. Essa coleção ficou entre os dez livros finalistas do Prêmio Jabuti 2013 na categoria de melhor livro didático e paradidático. Também é integrante do grupo Banza, que gravou o CD "Iberian and African-Brazilian Music in 17th Century Bahia".

Seu primeiro grande sucesso foi a canção "O que é que a baiana tem?", que foi imortalizada ao ser cantada por Carmen Miranda em 1939

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