Floripa, um mundo de belas praias
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quarta-feira, 07 de janeiro de 2004
Fábio Vendrame<br>Agência Estado 
Florianópolis Na Ilha de Santa Catarina, a palavra é sim. ''Está tudo certo'', dizem os manezinhos, curioso apelido dos nativos em razão dos núcleos açorianos de colonização. Existe em Floripa uma conspiração a favor da alegria dos turistas. Até mesmo o apagão no fim de outubro do ano passado foi motivo de inspiração para bares e restaurantes, que promoveram eventos à luz de velas.
Agradar faz parte do repertório dos ilhéus. E com o verão, a temperatura sobe também no quesito alto-astral. Os guarapuvus, aquelas árvores amarelas que pontuam os arredores da Lagoa da Conceição, florescem e indicam que dali em diante começa a época mais movimentada da ilha. A antiga Vila de Nossa Senhora do Desterro é hoje um dos pontos mais badalados do litoral brasileiro.
E já não se espera mais a tradicional ''invasão'' argentina. Com a perda do poder aquisitivo, a chegada de nossos ''hermanos'' a Florianópolis foi refreada. ''Os hoteleiros estavam acostumados a isso; muitos funcionavam por quatro meses e fechavam'', comenta a presidente do Convention & Visitors Bureau de Floripa, Carmem Maria Peters. ''Agora, despertaram também para o turista brasileiro.''
Em expansão, a rede hoteleira local oferece cerca de 22 mil leitos. ''A projeção para 2004 é de 400 a 700 leitos a mais'', diz Carmem, que integra um grupo de estudos para a elaboração de um plano de desenvolvimento turístico para Floripa. ''Ainda podemos crescer, mas temos de cuidar para não haver descontrole, afinal, estamos numa ilha'', observa.
Personalizado Sim, é uma ilha, o que pode dar a falsa impressão de que se trata de um lugar restrito, sem grandes alternativas. O engano desfaz-se em pouco tempo. Basta dizer que para atravessá-la de norte a sul gasta-se pelo menos uma hora de carro. E a melhor maneira de fazê-lo é na companhia de quem a conhece.
Há muitos lugares para conhecer e virar fã. Num roteiro básico, de cinco dias por exemplo, o mínimo que se deve fazer é ir aos pontos clássicos da ilha. Para se ter uma dimensão, comece pelo Morro da Cruz, mirante que oferece ampla vista da cidade.
Os olhos alcançam o centro histórico da ilha. Logo, a pedida é seguir para lá, espaço dominado pelo Mercado Público, de 1889, onde pescados, carnes, frutas, artesanato e artigos populares dividem espaço com manifestações culturais. Circule à vontade pela região, com segurança.
Dali, para as praias. Joaquina, reduto das melhores formações de onda e de um fluxo turístico cada vez mais crescente, vem cedendo espaço para Mole e Brava, atuais points da juventude. Ao norte, vale ainda desfrutar de Moçambique, Jurerê e Cachoeira do Bom Jesus, não necessariamente nessa ordem. Ao sul, as praias de Campeche e Armação merecem destaque, assim como a Lagoa do Peri.
Imperdível também são os bairros de Santo Antônio de Lisboa, ao norte, e Ribeirão da Ilha, ao sul. Concentram boa parte do casario açoriano preservado, rica oferta gastronômica e um ótimo astral. No primeiro, a Rua Caminho dos Açores guarda a Igreja de Nossa Senhora das Necessidades e a Casa Açoriana, espaço dedicado à arte regional.
Por ali há gente como Gilson Vieira, pescador de 50 anos, pele gretada e olhos azuis que garante os frutos-do-mar para restaurantes e botecos. A gastronomia, por sinal, vai render alguns dos melhores momentos da viagem. Ostras e camarões são apreciados por toda parte. E há muito mais. Sempre há. Só não há como deixar de dizer sim.


