Florianópolis é um refúgio moderno que atrai moradores
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terça-feira, 30 de maio de 2006
João Batista César<br> Especial para a Agência Estado 
Florianópolis - Conhecida como ''desterro'' desde sua fundação, no século 17, até o advento da República, Florianópolis tornou-se, nos últimos dez anos, o mais descolado endereço de famílias milionárias ou bem informadas. Um refúgio moderno de conforto e segurança. ''É clichê, mas optamos pela ilha por causa da qualidade de vida'', diz o jornalista Paulo Markun, que dirige o programa ''Roda Viva'' da ''TV Cultura'', na cidade de São Paulo, e há oito anos mora com a mulher e dois filhos na pequena e histórica vila de Santo Antonio de Lisboa, na baía Norte de Florianópolis. É o resultado mais extremo do mesmo impulso que alimenta a indústria dos condomínios fechados, que serão 80% dos lançamentos previstos no Estado paulista este ano.
A tendência vem alimentando um crescimento médio anual de 20% no mercado imobiliário da Ilha nos últimos três anos, segundo Marcelo Brognoli, diretor do escritório local do Sindicato da Habitação (Secovi) e da Brognoli Negócios Imobiliários, que atua em Florianópolis há 50 anos e detém 50% do mercado de locações, o primeiro a ser impactado. ''Não temos dados consolidados, mas o movimento é visível, principalmente na locação. São famílias que vêm dos grandes centros, geralmente a partir dos filhos, que historicamente procuram Florianópolis para estudar'', diz. O diretor garante que a carteira de locações da sua imobiliária cresce 25% há pelo menos dez anos e que não há casos de desvalorização imobiliária nesse período.
A Ilha abriga, além da Faculdade Federal de Santa Catarina, uma rede significativa de instituições privadas e um importante centro de pesquisa em informática. O que atraiu o empresário Válber Bittencourt, dono de um cal center em São Paulo e há quatro anos morador do condomínio Jurerê Internacional, balneário que também fica na baía Norte, porém voltado para o mar aberto e projetado para atender veranistas. O local ficava deserto durante o inverno até cinco anos atrás.
Hoje, a população de moradores permanentes, segundo a administração, está perto de 4 mil pessoas. Segundo Ricardo Cotrin, diretor de marketing do Jurerê, o supermercado que funciona no local vai mudar de local, pois precisa ser ampliado, assim como o shopping, que está aumentando o número de lojas, e os preços dos imóveis explodiram. ''Um apartamento aqui não custa menos de R$ 5 milhões'', diz.
Bittencourt, que nasceu em Itajaí e morou em São Paulo por mais de 30 anos, era um dos veranistas. ''Comprei a casa do Jurerê para passar férias, mas em pouco tempo e incentivado pela minha filha mais velha, acabei me mudando de vez'', conta o empresário, que sonha um dia poder se livrar dos vôos semanais. ''Sei que dificilmente poderei abrir mão de ir a São Paulo, mas trabalho para que as viagens possam ser cada vez mais espaçadas'', diz. Para isso, montou uma empresa ''manezinha da ilha'', como são chamados os nativos, para produzir conteúdo para celulares.
A ilha atrai também muitos estrangeiros de países da América Latina, principalmente da Argentina, e também da África, Alemanha, Bélgica e França. Uma dessas famílias estrangeiras é a de um empresário americano que encontrou na cidade todas as características que sonhou para o lugar em que iria criar seus filhos. ''Tenho tudo a dez minutos a pé da minha casa: escola, supermercado, e até o trabalho. Meus filhos convivem com a natureza, como sempre achei que deveria ser, e crescem livres e com relativa segurança. Esse é um lugar único no mundo'', diz o empresário, que prefere não se identificar. ''Não quero aparecer para não expor minha família à violência. Já fugi dela quando me mudei para cá'', justifica. Antes de comprar a casa no Jurerê, morava no bairro do Morumbi, em São Paulo, e diz que gastava uma fortuna com a logística necessária para garantir a mesma segurança que tem hoje em Florianópolis.
O empresário trabalha na área de tecnologia, concentra seus negócios em São Paulo, mas tem um escritório na Ilha. Consegue assim, reduzir ao mínimo suas viagens à capital paulista, como sonha seu colega Bittencourt. E dividir o cuidado com os filhos, ainda pequenos, com a esposa, uma arquiteta que tem se beneficiado da grande atividade imobiliária que acontece na cidade.


